Dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar indicam resultados ascendentes, queda da sinistralidade e avanço desde 2018
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) divulgou, nesta terça-feira (17), os dados econômico-financeiros do setor referentes ao fechamento de 2025, confirmando a consolidação de uma trajetória de recuperação. Os números apontam resultado positivo superior aos anos anteriores, com avanço consistente dos principais indicadores e desempenho puxado pelas grandes operadoras médico-hospitalares. Trata-se do melhor resultado desde 2018, segundo a série histórica disponibilizada pela agência.
O setor registrou receitas totais de R$ 391,6 bilhões e lucro líquido de R$ 24,4 bilhões no período, o equivalente a uma margem de 6,2%. O resultado líquido foi o maior da série em termos nominais, superando inclusive o patamar observado durante a pandemia de COVID-19.
Já o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) alcançou 16,4%, acima dos níveis pré-pandemia. Ao todo, 73,5% das operadoras encerraram o ano com resultado positivo, evidenciando melhora disseminada, ainda que com forte concentração de lucros em grandes grupos.
Para o advogado Thayan Fernando Ferreira, especialista em direito de saúde e em direito público, membro da Comissão de Direito Médico da OAB-MG e diretor do escritório Ferreira Cruz Advogados, as operadoras estão num momento de surfar a onda. “Os dados evidenciam um setor mais equilibrado do ponto de vista financeiro, o que amplia sua capacidade de absorver demandas assistenciais. Acredito que esses bons resultados estão seguindo uma tendência de ascenção que já via sendo observada em anos anteriores e, ainda, deve alcançar a crista”, explica.
Essa observação do especialista é percebida nos números. No geral, no segmento médico-hospitalar, principal eixo da saúde suplementar, o lucro líquido somou R$ 23,4 bilhões, sustentado pela expansão do resultado operacional e pelo desempenho financeiro, favorecido por juros elevados. A sinistralidade recuou para 81,7%, o menor nível desde 2020, refletindo a recomposição das mensalidades acima da variação das despesas assistenciais. O resultado operacional agregado atingiu R$ 9,8 bilhões, com destaque para medicinas de grupo e seguradoras especializadas, enquanto as autogestões permaneceram no campo negativo.
Thayan ainda acrescenta que “em um país com forte pressão sobre o sistema público, a saúde suplementar atua como vetor essencial para dar vazão a necessidades mais complexas e crescentes da população”. A análise ganha relevância quando comparada ao cenário do Sistema Único de Saúde (SUS), que concentra a maior parte dos atendimentos no país e enfrenta desafios históricos de financiamento e demanda.
Thayan ainda acrescenta que, mesmo associada a muitas contradições, a saúde suplementar tem mesmo um papel fundamentado importante. “O nosso país passa por uma forte pressão sobre o sistema público, a saúde suplementar atua como vetor essencial para dar vazão a necessidades mais complexas e crescentes da população. Quando comparada ao cenário do Sistema Único de Saúde (SUS), que concentra a maior parte dos atendimentos no país e enfrenta desafios históricos de financiamento e demanda, a gente percebe bem isso. Enquanto a saúde suplementar atende cerca de um quarto da população e apresenta melhora nos indicadores financeiros, o sistema público segue responsável pela universalização do acesso, operando sob pressão crescente, o que reforça a complementaridade entre os dois modelos”, reforça o advogado.



