Outubro dedicado ao luto parental propõe reflexão sobre acolhimento nas empresas

"Quando uma empresa acolhe com respeito, a pessoa sente que pode existir de novo, sem precisar esconder sua dor para continuar sendo produtiva", diz Bia Tartuce, consultora de RH
“Quando uma empresa acolhe com respeito, a pessoa sente que pode existir de novo, sem precisar esconder sua dor para continuar sendo produtiva”, diz Bia Tartuce, consultora de RH
Outubro é o Mês de Conscientização sobre a Perda Gestacional, Neonatal e Infantil no Brasil, instituído pela Lei Federal nº 15.139/2025. O tema chama atenção para um ponto delicado: como as empresas podem se tornar espaços mais humanos e preparados para acolher o luto parental?

A mentora de líderes, de carreira, psicóloga e consultora de RH, Bia Tartuce, destaca que o acolhimento adequado no trabalho pode ter impacto profundo no processo de recuperação emocional. “O luto parental é uma dor que atravessa o tempo. Quando uma empresa acolhe com respeito, a pessoa sente que pode existir de novo, sem precisar esconder sua dor para continuar sendo produtiva”, explica.

Mulheres chefiam 49% dos lares brasileiros: como lidar com a dor da perda neste contexto?

De acordo com dados da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), o Brasil registrou 22.919 mortes fetais e quase 20 mil óbitos neonatais em 2024, além de 35.450 óbitos fetais e infantis contabilizados pelo Ministério da Saúde ano passado. Segundo o Censo 2022 do IBGE, 36 milhões de mulheres são chefes de família no país, representando 49,1% dos lares brasileiros. Para muitas delas, vivenciar uma perda gestacional ou neonatal significa lidar com o sofrimento e, ao mesmo tempo, ter que trabalhar para sustentar a família, apesar da dor. Como então uma empresa deve ajudar essas mulheres?

“É neste ponto que o papel da liderança se torna fundamental. O retorno não deve ser tratado como um simples recomeço de tarefas, mas como um processo de readaptação. O líder precisa conversar com quem sofreu a perda antes da volta, entender suas limitações e oferecer flexibilidade, seja com horários reduzidos, home office ou pausas programadas. Essa escuta ativa faz com que a pessoa se sinta segura para voltar a trabalhar”, comenta Bia Tartuce.

Demonstrar apoio é essencial, mas há uma linha tênue entre ser solidário e ser invasivo. Muitos colegas querem ajudar, mas não sabem como e, sem orientação, acabam agindo de maneira que, ainda que bem-intencionada, pode causar desconforto.

“Nem sempre o apoio precisa vir em palavras, às vezes, o simples ato de não cobrar produtividade imediata já é um acolhimento. Pequenos gestos, como uma mensagem de carinho ou flores enviadas pela empresa, são bem-vindos quando partem de um lugar genuíno. O mais importante é respeitar o silêncio de quem está sofrendo pela perda e mostrar que a pessoa não está sozinha”, esclarece Bia Tartuce.

Empresas que desejam construir uma cultura mais humana precisam ir além do improviso. Ter políticas claras sobre como agir em situações de luto é uma forma de transformar o acolhimento em prática organizacional e não apenas em gesto pontual.

“Um guia de boas práticas pode orientar líderes e equipes sobre o que fazer antes, durante e depois da perda. Isso inclui a forma de comunicar a ausência, o acompanhamento no retorno e a oferta de apoio psicológico. Quando a empresa formaliza esses processos, o cuidado deixa de depender da sensibilidade individual e passa a ser parte da cultura”, diz ela.

Total
0
Shares
Anterior
Susep participa de principal evento internacional sobre inovação em seguros
Foto por: Johannes Plenio/ Pexels

Susep participa de principal evento internacional sobre inovação em seguros

Diretores da autarquia participaram do ITC Vegas 2025, maior encontro mundial do

Próximo
Emprego na saúde cresce mais do que na economia brasileira e atinge 5,27 milhões de vínculos formais
person wearing lavatory gown with green stethoscope on neck using phone while standing

Emprego na saúde cresce mais do que na economia brasileira e atinge 5,27 milhões de vínculos formais

Relatório produzido pelo IESS identifica que setor criou 52 mil vagas em três

Veja também