O 6º Congresso dos Corretores de Seguros do Norte e Nordeste (ConsegNNE), em Salvador (BA), avançou na agenda de conteúdo com a palestra/debate “Cenários para o Brasil em 2026”. O painel reuniu o economista Dr. Gilmar Mendes (Fundação Dom Cabral e membro do Conselho Consultivo da MAG) como palestrante, além de lideranças do mercado segurador convidadas para o debate, como Ney Ferraz Dias (diretor-presidente da Bradesco Auto/RE), Marcelo Goldman (diretor executivo de Produtos Massificados da Tokio Marine) e Rafael Ramalho (vice-presidente de Automóvel do Grupo HDI). A mediação ficou a cargo de Armando Vergílio, presidente da Fenacor, que representou o moderador originalmente previsto, Marco Antonio Gonçalves.
“Extrair o sinal do ruído”
Ao abrir sua participação, Gilmar Mendes revelou que sua atuação na Fundação Dom Cabral inclui a construção de cenários globais e para o Brasil, com foco em interpretação de grandes movimentos internacionais e seus efeitos sobre decisões empresariais. “A função nossa é sacar, extrair daí o sinal que é relevante para a tomada de decisão do Brasil”, disse, ao destacar que o objetivo é conectar complexidade global a impactos concretos em mercados.
Segundo ele, existem variáveis macro determinantes para o ambiente de negócios. E, por consequência, para setores que dependem diretamente de renda e atividade econômica. “Precisamos de volume, precisamos de renda, rendimento médio, massa salarial, emprego, desemprego, tudo isso é importante”, afirmou, ao contextualizar a base econômica que sustenta crescimento e consumo.
Segurança institucional como base do desenvolvimento
Na leitura do palestrante, discutir cenários exige cruzar disciplinas, não apenas economia. “Você precisa ter pelo menos três grandes áreas de conhecimento: economia, geopolítica e história”, defendeu. Para ele, esse tripé ajuda a entender por que determinadas nações avançam mais do que outras e como isso influencia o mundo atual.
Nesse ponto, Gilmar Mendes conectou a discussão ao conceito de previsibilidade institucional como motor de investimento. “A resposta é aquela nação que mais segurança institucional provê. Segurança para que você possa investir”, ponderou, resumindo a lógica de estabilidade de regras e ambiente de negócios como condição para crescimento sustentado.
Tensões globais no radar: bélica, tecnológica e comercial
Ao abordar o cenário internacional, o economista organizou a análise em três eixos de tensão que, segundo ele, se intensificam no ciclo atual. “Quais são as três grandes tensões globais? A tensão bélica, a tensão tecnológica e a tensão comercial”, listou, observando que o noticiário tende a dar mais visibilidade às guerras, enquanto as disputas por tecnologia e comércio seguem como forças estruturantes.
Na sequência, Gilmar Mendes relacionou esse quadro a ciclos históricos de hegemonia e à formação de ordens globais, destacando que a arquitetura que rege boa parte das relações internacionais contemporâneas tem marcos no pós-guerra. “A gente vive uma ordem global desde 1945”, diagnosticou, ao explicar por que mudanças geopolíticas e econômicas tendem a repercutir de forma ampla e prolongada.
Mercado segurador no contexto: renda, previsibilidade e decisões estratégicas
Embora a fala tenha sido orientada por uma visão macro, o painel foi apresentado no ConsegNNE como parte de uma agenda voltada a ampliar repertório para corretores e lideranças do setor. A presença de representantes do mercado (Bradesco Seguros, Tokio Marine e Grupo HDI) reforçou a conexão entre cenário econômico, riscos emergentes e dinâmica de produtos e demanda, especialmente em um ano de transformações regulatórias e de consumo.
Ao final, a expectativa é que o debate reverbere em outras frentes do evento, que segue até sábado (14), com programação técnica, feira e salas de negócios.
Cobertura especial do Universo do Seguro no ConsegNNE
O Universo do Seguro realiza cobertura especial do 6º ConsegNNE em Salvador (BA), com distribuição de jornais impressos e gravação de entrevistas exclusivas ao longo do encontro.
