No Brasil, apoio à medida é de 69%. Levantamento também traz evidências sobre a saúde mental dos jovens
A nova edição da Ipsos Education Monitor 2025, lançada nesta terça (26) pela Ipsos, mostra que 69% dos entrevistados brasileiros concordam em proibir o uso de redes sociais para menores de 14 anos, dentro e fora da escola. O dado aponta um aumento de 9 p.p em relação à mesma pergunta feita em 2024, quando 60% dos respondentes no Brasil apoiavam a medida. O crescimento do último ano é observado em quase todos os países pesquisados (com exceção da Tailândia, Hungria e Índia), o que contribuiu para a média global subir de 65% de apoio em 2024 para 71% em 2025.
Há, no entanto, diferenças de opinião entre pais que possuem filhos na escola e os que não possuem: três quartos (74%) dos pais com filhos em idade escolar concordam que menores de 14 anos deveriam ser proibidos de usar redes sociais dentro e fora dessas instituições. Para aqueles que não têm filhos na escola, 69% pensam da mesma forma.
“O resultado de que 69% dos brasileiros apoiam a proibição do uso de redes sociais por menores de 14 anos, tanto dentro quanto fora das escolas, é um forte indicativo da crescente preocupação da sociedade com a proteção da infância. Esse número dialoga diretamente com debates nacionais urgentes, como a percepção da ‘adultização’ precoce das crianças, que são expostas a conteúdos e interações para os quais não estão psicologicamente preparadas. Além disso, esse dado oferece um respaldo popular significativo para as discussões em torno do Projeto de Lei de Regulação das Redes Sociais, mostrando que há um anseio por mais responsabilidade e segurança nas plataformas digitais”, comenta Marcos Calliari, CEO da Ipsos no Brasil.
Quando perguntados sobre a proibição do uso de smartphones nas escolas, 62% dos brasileiros afirmam concordar com a prática (frente a 49% em 2024) e 24% não concordam. Do total de entrevistados nos 30 países, 55% concordam e 30% não concordam. Os países europeus são os mais propensos a apoiar a remoção de smartphones das escolas (na França, 80% são a favor), e a Ásia é o local onde há menor apoio (na Tailândia, 35% são a favor).
“A proibição de celulares em sala de aula, já adotada por diversas redes de ensino e por alguns estados, é apenas a ponta do iceberg. O que os brasileiros parecem estar sinalizando é um desejo por um pacto social mais amplo para proteger a infância, estabelecendo limites claros entre o mundo digital e o tempo necessário para o desenvolvimento saudável, a aprendizagem e a socialização real das crianças e adolescentes”, diz Calliari.
Quando se trata do papel da IA nas escolas, há uma divisão evidente. No Brasil, 34% defendem sua proibição (incluindo o ChatGPT) e 35% são contra o banimento das ferramentas, mas grande parte da Ásia é a favor de que a IA desempenhe um papel na sala de aula – enquanto os países de língua inglesa e a Europa Ocidental estão no outro extremo do espectro: 55% dos canadenses acham que a IA deveria ser proibida nas escolas, um aumento em relação aos 41% cotado em 2023 (ano em que o ChatGPT foi introduzido).
Desafios enfrentados pelos jovens
A pesquisa investigou também a opinião dos entrevistados sobre os maiores desafios que os jovens enfrentam atualmente em seu país. No Brasil, 40% dos entrevistados citam pobreza e desigualdade, 31% má qualidade da educação e 30% citam empatados o bullying e também desafios de saúde mental, como depressão e ansiedade.
Na visão global, no entanto, a saúde mental já ocupa o primeiro lugar como o maior desafio dos jovens em oito países pesquisados (Austrália, Canadá, Chile, Malásia, Polônia, Singapura, Suécia e EUA), e figura em segundo lugar em outros dez (Argentina, Bélgica, Grã Bretanha, Hungria, Irlanda, Japão, Holanda, Coreia do Sul, Espanha e Tailândia), à frente de questões como a economia do país e as mídias sociais. A Suécia apresenta a maior porcentagem: 54% citam a saúde mental como o maior desafio.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), um em cada sete jovens de 10 a 19 anos sofre de transtorno mental. Nesse sentido, a pesquisa avaliou a percepção sobre a saúde mental dos jovens: 63% dos brasileiros a avaliam como ruim, enquanto a média global é de 53%, e apenas 37% dizem o mesmo sobre a saúde física dessa população.
Também é possível analisar os dados sob a ótica geracional: 19% dos entrevistados consideram o estado da saúde mental da Geração Z (na pesquisa, aqueles com idade entre 16 e 29 anos) muito ruim e 35% ruim. Quando a avaliação é em relação aos Baby Boomers (os mais velhos da pesquisa), 9% consideram seu estado mental muito ruim e 38% ruim.
“Atualmente, diante de ameaças como mudanças climáticas, queda da coesão social, precariedade socioeconômica e mídias sociais desregulamentadas e nocivas, são incertas as perspectivas dos jovens”, aponta Calliari. E completa: “Essa ‘perda do futuro’ é algo que a Ipsos observa desde o início deste século. Embora três em cada quatro acreditem que é natural para cada geração ter um padrão de vida mais alto do que o de seus pais, para muitos jovens hoje, em grande parte do Ocidente, isso parece improvável.”
Metodologia
- Estes são os resultados de uma pesquisa em 30 países conduzida pela lpsos em sua plataforma online Global Advisor e, na Índia, em sua plataforma IndiaBus, entre sexta-feira, 20 de junho, e sexta-feira, 4 de julho de 2025.
- Para essa pesquisa, a lpsos entrevistou um total de 23.700 adultos com 18 anos ou mais na Índia, de 18 a 74 anos no Canadá, República da Irlanda, Israel, Malásia, África do Sul, Turquia e Estados Unidos, de 20 a 74 anos na Tailândia, de 21 a 74 anos na Indonésia e Cingapura, e de 16 a 74 anos em todos os outros países.
- A amostra é composta por aproximadamente 2.000 indivíduos no Japão, 1.000 indivíduos em cada país: Austrália, Bélgica, Brasil, Canadá, França, Alemanha, Grã-Bretanha, Itália, México, Espanha e EUA, e 500 indivíduos na Argentina, Chile, Colômbia, Hungria, Indonésia, Irlanda, Malásia, Holanda, Peru, Polônia, Romênia, Singapura, África do Sul, Coreia do Sul, Suécia, Tailândia e Turquia. A amostra na Índia é composta por aproximadamente 2.200 indivíduos, dos quais aproximadamente 1.800 foram entrevistados presencialmente e 400 foram entrevistados online.
- Amostras na Argentina, Austrália, Bélgica, Canadá, França, Alemanha, Grã-Bretanha, Hungria, Itália, Japão, Holanda, Polônia, Coreia do Sul, Espanha, Suécia e EUA podem ser consideradas representativas de suas populações adultas em geral com menos de 75 anos. Amostras no Brasil, Chile, Colômbia, Indonésia, Irlanda, Malásia, México, Peru, Romênia, Singapura, África do Sul, Tailândia e Turquia são mais urbanas, mais educadas e/ou mais ricas do que a população em geral. Os resultados da pesquisa para esses países devem ser vistos como reflexo das opiniões do segmento mais “conectado” de sua população.
- A amostra da Índia representa um grande subconjunto de sua população urbana — classes socioeconômicas A, B e C em áreas metropolitanas e classes urbanas de nível 1 a 3 em todas as quatro zonas.
- Os dados são ponderados para que a composição da amostra de cada país reflita da melhor forma o perfil demográfico da população adulta, de acordo com os dados do censo mais recente. A “Média Global do País” reflete o resultado médio para todos os países e mercados nos quais a pesquisa foi realizada. Ela não foi ajustada ao tamanho da população de cada país ou mercado e não pretende sugerir um resultado total.
- Quando as porcentagens não somam 100 ou a ‘diferença’ parece ser de +/- 1 ponto percentual a mais/a menos que o resultado real, isso pode ser devido a arredondamento, respostas múltiplas ou à exclusão de respostas “não sei” ou não declaradas.
- A precisão das pesquisas online da IPSOS é calculada usando um intervalo de credibilidade, com uma pesquisa em que N = 1.000 sendo precisa de +/- 3,5 pontos percentuais e em que N = 500 sendo precisa de +/- 5,0 pontos percentuais. Para mais informações sobre o uso de intervalos de credibilidade pela IPSOS, visite o site da IPSOS.