Dados de fevereiro mostram avanço nos segmentos médico-hospitalar e odontológico, com força dos contratos coletivos empresariais e alta rotatividade nas carteiras
A saúde suplementar brasileira manteve trajetória de crescimento em fevereiro e voltou a registrar avanço no número de beneficiários, segundo dados divulgados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) nesta segunda-feira, 6 de abril. Ao todo, o setor encerrou o mês com 52.972.156 vínculos em planos de assistência médica e 35.695.676 em planos exclusivamente odontológicos, reforçando o fôlego do mercado e a força dos planos coletivos empresariais na expansão das carteiras.
Na comparação com janeiro, os planos médico-hospitalares ganharam 36.410 beneficiários, o que representa variação positiva de 0,07%. Já no comparativo com fevereiro de 2025, o crescimento foi de 1.028.835 vínculos, equivalente a 1,98%. No segmento odontológico, a expansão foi ainda mais intensa: foram 266.637 novos beneficiários frente ao mês anterior, com alta de 0,82%, enquanto, em 12 meses, o aumento chegou a 1.282.660 vínculos, ou 4,26%.
Coletivo empresarial segue puxando o mercado
Os números da ANS reforçam uma tendência já consolidada no setor: o protagonismo dos planos coletivos empresariais. Nos últimos 12 meses, esse tipo de contratação registrou crescimento de 3,32% nos planos de assistência médica, elevando sua participação de 72,1% para 73,1% do total de beneficiários.
Nos planos exclusivamente odontológicos, o movimento foi ainda mais expressivo. O avanço de 8,37% no número de usuários dos contratos coletivos empresariais fez a fatia desse modelo subir de 71,6% para 74,8% do segmento.
O desempenho mostra que o vínculo corporativo continua sendo a principal porta de entrada para a saúde suplementar, especialmente em um ambiente em que o benefício é usado por empresas como ferramenta de retenção, atração de talentos e apoio ao bem-estar dos colaboradores.
Mais de 1 milhão de adesões em um único mês
Outro dado que chama atenção é o volume de movimentações dentro do sistema. Em fevereiro, a variação líquida dos planos de assistência médica foi resultado da entrada de 1.080.315 novos vínculos e do cancelamento de 1.043.905 vínculos.
Na prática, isso significa que o setor segue aquecido, mas também altamente dinâmico. A chamada taxa de rotatividade mensal ficou em 1,97%, indicando que mais de 1 milhão de vínculos ativos foram substituídos no período.
No acumulado de 12 meses, a movimentação foi ainda mais robusta: houve 15.726.387 adesões e 14.397.552 cancelamentos, resultando em uma taxa de rotatividade de 28,30%.
Entre os planos coletivos empresariais de assistência médica, essa taxa chegou a 32,82%, bem acima da observada nos planos coletivos por adesão, que registraram 20,21%, e nos planos individuais ou familiares, com 11,76%. O dado revela que os contratos empresariais, apesar de liderarem o crescimento do setor, também concentram maior nível de substituição e troca de vínculos.
Crescimento alcança todo o país
No recorte regional, a expansão dos planos de assistência médica foi disseminada por todas as unidades federativas na comparação com fevereiro de 2025. O maior crescimento percentual foi registrado no Distrito Federal, com alta de 5,79%.
Já entre os planos exclusivamente odontológicos, o destaque ficou com Santa Catarina, que apresentou crescimento de 7,97% no período.
Em números absolutos, os maiores avanços nos planos de assistência médica foram observados nos estados do Sudeste — São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo —, além do Distrito Federal. No segmento odontológico, as maiores variações ocorreram em São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná.
Crescimento com ressalvas
A ANS lembra que os dados de beneficiários refletem o número de vínculos ativos a planos de saúde, e não necessariamente o número de pessoas únicas, já que um mesmo indivíduo pode ter mais de um plano. Além disso, tanto adesões quanto cancelamentos englobam diferentes situações, como entrada de novos beneficiários, migração entre produtos, encerramento de contratos coletivos, saída do setor e até óbitos.
A agência também destaca que os números podem sofrer alterações retroativas, uma vez que as operadoras revisam mensalmente as informações enviadas à reguladora.
Mercado segue resiliente
Os dados de fevereiro mostram que a saúde suplementar continua avançando, mesmo em um cenário de forte rotatividade e reacomodação de carteiras. O crescimento nos segmentos médico-hospitalar e odontológico, combinado à força dos planos coletivos empresariais, evidencia a resiliência do setor e sua relevância crescente dentro da estrutura de benefícios oferecidos pelas empresas brasileiras.



