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Previdenciarista explica por que 70% dos pagamentos do INSS são de até um salário mínimo

Washington Barbosa: especialista em Direito Previdenciário e mestre em Direito das Relações Sociais e Trabalhistas e CEO da WB Cursos / Foto: Divulgação
Washington Barbosa: especialista em Direito Previdenciário e mestre em Direito das Relações Sociais e Trabalhistas e CEO da WB Cursos / Foto: Divulgação

Três fatores principais que explicam esse cenário

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) divulgou recentemente um dado relevante sobre a realidade previdenciária no Brasil: 70% dos pagamentos feitos pela autarquia correspondem a benefícios no valor de até um salário mínimo. O número reflete a desigualdade socioeconômica do país e suscita debates sobre o impacto das políticas previdenciárias nos rendimentos dos trabalhadores.

De acordo com Washington Barbosa, especialista em Direito Previdenciário e mestre em Direito das Relações Sociais e Trabalhistas, existem três fatores principais que explicam esse cenário. O primeiro é a baixa renda da população em geral. “A maioria dos brasileiros ganha muito pouco e, consequentemente, contribui com valores menores para o INSS, o que resulta em benefícios reduzidos na aposentadoria”, aponta.

Outro aspecto relevante, segundo Barbosa, é o achatamento salarial ao longo do tempo. Ele explica que “mesmo para quem ganha acima de um salário mínimo, o reajuste do piso nacional frequentemente supera os índices aplicados a benefícios previdenciários maiores. Assim, pessoas que se aposentaram com valores equivalentes a dois ou três salários mínimos acabam vendo seus rendimentos reduzidos até alcançar o piso previdenciário”.

Além disso, as recentes mudanças nas regras de cálculo dos benefícios, especialmente aqueles relacionados à incapacidade laboral e à pensão por morte, também contribuem para o quadro atual. “Mesmo que o segurado tenha contribuído com valores mais altos durante sua vida laboral, os novos critérios de cálculo fazem com que muitos benefícios sejam concedidos com valores próximos ao salário mínimo”, ressalta o especialista.

O dado apresentado pelo INSS evidencia desafios estruturais que precisam ser enfrentados para garantir uma maior equidade no sistema previdenciário. Para Barbosa, “é necessário repensar os critérios de reajuste e ampliar o acesso a rendas maiores, de forma a evitar que os aposentados enfrentem dificuldades financeiras em uma fase da vida em que a segurança econômica é essencial”.

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