Leandro Ramos explica como processos, IA e capacitação elevam a entrega e como a PROAUTO se alinha ao novo marco regulatório
A PROAUTO chegou à maioridade. Em 18 anos, a instituição que surgiu para dar proteção a quem não tinha acesso ao seguro tradicional estruturou sistemas próprios, verticalizou serviços, abraçou dados e inteligência artificial e agora se prepara para a próxima etapa, com mudanças jurídicas e adequação às novas regras da Superintendência de Seguros Privados (SUSEP). No podcast Universo do Seguro, Leandro Ramos, presidente da PROAUTO, abriu os bastidores dessa trajetória e os planos para 2026.
“Confiança não nasce de promessas, mas de previsibilidade. A gente precisa provar, mostrar processo, prazo e entrega”, comenta Leandro Ramos.
Linha do tempo: da semente ao ecossistema
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2006/2007 – Origens do movimento associativo ligadas a frotistas/cegonheiros em polos automotivos.
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Uberlândia (MG) – Primeira base; depois Belo Horizonte (2010), com avanço de operação e empresas próprias de apoio (ex.: Velox).
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São Paulo (2011/2012) – Início por meio de representantes.
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2014 – Desenvolvimento do sistema próprio de gestão (riscos + automação).
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2019 – “Virada de chave”: robotização de processos, maior proximidade institucional e presença no mercado segurador.
“Inclusão é a palavra. Atendemos perfis e modelos de veículos fora do alcance do seguro tradicional, ampliando proteção”, acrescenta Ramos.
Mutualismo que entrega (e mede): processos, prazos e NPS
Ramos sustenta que a base de reputação do setor está na clareza operacional:
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Prazo de indenização: “30 dias” como prática interna (mediante documentação completa).
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Acompanhamento de sinistro em tempo real: para associado e corretor.
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Transparência e dados: distinção entre “qualidade emitida” (execução) e “qualidade percebida” (experiência), com times e painéis analíticos.
Ele também reconhece distorções históricas no segmento e defende regulação firme: “Houve quem praticasse ‘seguro pirata’. Regra clara e fiscalização separam quem entrega de quem não entrega”, revela o Presidente da PROAUTO.
Mercado e inclusão: romper a barreira dos 30%
O objetivo estratégico é ajudar o setor a superar os ~30% de veículos com proteção no Brasil. Segundo Ramos, estimativas indicam que 10 milhões de veículos (cerca de 10% da frota) já estejam protegidos por associações/cooperativas. “É um número que não pode ser ignorado e que precisa crescer com boas práticas”, indica Leandro Ramos.
Ferramentas para corretores: consultoria de verdade, não só renovação
“O corretor que só liga na renovação, esse está em risco. Quem acompanha e aconselha vence”, aponta o executivo ao apresentar os principais destaques do Portal do Corretor e do app:
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Radar do dia anterior: o corretor vê todos os acionamentos de guincho dos seus clientes para ligar, acolher e fidelizar.
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Lock de placa por 7 dias: ao cotar uma placa, a oportunidade fica garantida ao corretor que a captou, evitando ‘guerra de preços’.
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Gestão da carteira: comissões por período, mapas de calor, funil, conversão por modelo de veículo.
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LGPD: dados sensíveis ofuscados e perfis de acesso configuráveis.
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Venda 100% remota:
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Assinatura: digital, por voz ou presencial.
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Vistoria prévia: por link (autovistoria em vídeo), em posto ou na própria corretora (quando necessário).
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App do associado e atendimento omnicanal
O aplicativo permite solicitar guincho, alterar dados, acompanhar sinistro, trocar veículo e falar direto com o corretor (“Fale com seu corretor”). O relacionamento também roda em site, telefone e WhatsApp com geolocalização do prestador.
IA como aliada (não substituta)
A PROAUTO utiliza três frentes de IA:
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Análise documental (onboarding/aceitação);
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Visão computacional para avaliação de danos;
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Gestão de risco com mapas de calor e simulações.
“A IA não substitui o humano na distribuição. É parceira do corretor e da operação: subscrição, regulação, time-to-yes”, pondera Ramos.
Capacitação em escala: parceria com a ENS
A empresa firmou acordo com a Escola de Negócios e Seguros (ENS):
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1.300 licenças para formação contínua do time (PLD/FT, subscrição, risco, etc.).
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Trilha para consultores virarem corretores (antecipando exigências de qualificação na distribuição).
Regulamentação em vista e mudança de natureza jurídica
Com a consulta pública da SUSEP em curso para mútuas/cooperativas e distribuição, a PROAUTO diz já ter tecnologia, compliance, jurídico e contábil alinhados. Ramos afirma que a organização migra de natureza jurídica e está “próxima da autorização” para constituir seguradora. “Seremos tão inclusivos quanto sempre fomos agora, com novo enquadramento regulatório e o mesmo compromisso de pagar certo e no prazo”, comenta o executivo.
Marca e propósito: a árvore, os cinco sentidos e os frutos
No CONEC 2025, o estande levou a metáfora da árvore: raízes (preparo e princípios), tronco (estrutura e processos) e frutos (entregas ao mercado). O “kit Cinco Sentidos” incluía uma semente, sinal de prosperidade e perenidade. “Estamos renascendo aos 18 anos, mais preparados que nunca”, conclui Leandro Ramos.
Serviço: “De olho no regulamento”
Ramos recomenda que o consumidor verifique antes de contratar:
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CNPJ do boleto = CNPJ do contrato;
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Rede de oficinas e prestadores (ligue e valide prazos/pagamentos);
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Prazo de indenização previsto;
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Certidões negativas (provas de adimplência);
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Atuação via corretor (explicar coberturas, prazos, assistência 24h).
Mais detalhes: proauto.org.br/de-olho-no-regulamento.
Pinga-fogo com Leandro Ramos
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Valor inegociável: “Honestidade”.
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Decisão difícil que ensinou: “Mudança de natureza jurídica”.
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Mito do mutualismo a derrubar: “De que não somos seguro pirata”.
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Tecnologia que vai ganhar palco: “IA como aliada operacional (não substitui o humano)”.
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Conselho ao corretor que entra no mutualismo: “Olhe prazo real de indenização, rentabilidade com entrega e seriedade da entidade”.
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PROAUTO em uma frase para os próximos 18 anos: “Mais forte do que nunca, confiável como sempre”.
