Lucas Linhares, sócio-fundador do Grupo PLL, analisa como a tendência de repasse de dispositivos dentro das famílias brasileiras estende o ciclo de vida dos aparelhos e movimenta a economia circular no país
Com o aumento constante no preço dos dispositivos e o acesso cada vez mais precoce à tecnologia, um comportamento se consolidou nas famílias brasileiras: o primeiro smartphone das crianças raramente sai da loja. Ele sai da gaveta dos pais. Este fenômeno de “herança digital”, que antes era uma prática informal, hoje é um padrão de consumo que movimenta o mercado de assistência técnica e redefine a vida útil dos aparelhos no país.
Segundo a pesquisa Panorama Mobile Time/Opinion Box (2025), a idade média em que as crianças brasileiras ganham seu primeiro smartphone é de 10 anos e 3 meses. Esse dado reforça uma mudança drástica na jornada do dispositivo. Mais do que uma simples economia doméstica, esse movimento impulsiona a economia circular. Um aparelho que antes seria descartado ou esquecido após dois ou três anos de uso, agora ganha uma segunda jornada completa nas mãos de um novo usuário, geralmente mais jovem e com necessidades de uso distintas.
O “Kit de Revitalização”: A nova demanda das assistências
Especialista no pós-venda de dispositivos móveis, o Grupo PLL nota esse cenário na prática. Nos últimos 12 meses, a empresa registrou um salto de 68% na procura por reparos em modelos de gerações anteriores. Embora o volume englobe diversos perfis de usuários, o repasse para o uso infantil dentro da própria família é um dos principais motores dessa demanda.
Os reparos mais buscados para revitalização desses modelos incluem:
- Telas: Substituição de displays riscados ou com microfissuras para garantir a integridade física e tátil.
- Baterias: Troca essencial, já que a saúde da carga é o item mais crítico para sustentar o uso de vídeos e jogos.
- Carcaça: Renovação de laterais e tampas traseiras para eliminar o aspecto de desgaste e devolver a estética de um aparelho novo.
Para Lucas Linhares, sócio-fundador do Grupo PLL, o ciclo de vida de um smartphone não termina no primeiro dono, ele se transforma. “O que vemos hoje é o reparo preventivo se tornando uma etapa essencial dessa transição. O foco é garantir que o hardware suporte camadas de segurança e controle parental, além de assegurar uma bateria confiável para a rotina”, explica o executivo.
Linhares ressalta que essa manutenção é o que viabiliza a sobrevida do aparelho diante das exigências tecnológicas. “Após esse ciclo adicional de até dois anos, o dispositivo naturalmente começa a sofrer com a falta de atualizações de sistema ou com a maior exigência de memória RAM dos novos aplicativos. A revisão técnica é o que garante que essa ‘segunda vida’ aconteça com performance, evitando que o aparelho se torne obsoleto precocemente”, pontua.
Além da parte física, a higiene de dados é outro ponto de atenção da PLL. Contas logadas e acessos automáticos a aplicativos bancários ou redes sociais dos pais podem permanecer vulneráveis se a limpeza técnica não for profunda, expondo a privacidade de todo o núcleo familiar. Dessa forma, a manutenção deixa de ser apenas uma reação a um dano e passa a ser um planejamento de sucessão digital, garantindo que o segundo ciclo de uso aconteça com o mesmo padrão de qualidade e segurança de um aparelho novo.



