Psicologia revela impactos invisíveis deixados por desastres

Foto: Psicóloga e mestre Sara Cianelli compartilhou experiências sobre atuação em desastres / Karen Cunha
Foto: Psicóloga e mestre Sara Cianelli compartilhou experiências sobre atuação em desastres / Karen Cunha

Semana da Psicologia na Unoeste Guarujá contou com palestra sobre a atuação do profissional diante de desastres e situações emergenciais

A segurança perdida, a rotina interrompida, o senso de pertencimento abalado. Quando falamos em desastres, os danos materiais podem ser os primeiros a aparecer, mas é no campo intangível, emocional, psicológico e social, que muitos sobreviventes encontram os maiores desafios. Esse foi o foco da palestra “A atuação da Psicologia em situações de emergências e desastres”.

Ela foi ministrada na última terça-feira (26) pela psicóloga e mestre Sara Cianelli dos Anjos Bittencourt, dentro da programação da Semana da Psicologia na Unoeste Guarujá.

Durante a fala, a especialista destacou que a Psicologia é essencial para compreender os impactos humanos e dar suporte em momentos de crise. “Nenhum desastre é igual, por isso é importante entender o contexto dele para sabermos a abordagem e como isso vai afetar as vítimas”, explicou.

Além dos escombros

Segundo a palestrante, lidar com desastres vai muito além de oferecer socorro imediato. O trabalho psicológico envolve prevenção, preparação, resposta e recuperação. Isso inclui desde ações práticas, como apoiar na busca por informações e suprir necessidades básicas, até aspectos emocionais, como escuta ativa, fortalecimento da autonomia e incentivo à expressão de sentimentos.

A psicóloga ressaltou que o papel do profissional é compreender as perdas simbólicas que acompanham os desastres. “Quando participamos de mediações em deslizamentos, por exemplo, precisamos entender o que representa aquela casa, aquela rua, aquela história para a pessoa. Isso influencia diretamente em como ela vai lidar com aquela perda”, relatou.

Humanização no atendimento

Para Sara, reconhecer a fragilidade e respeitar a dignidade dos afetados é fundamental. “O nosso papel como psicólogo é de identificar a fragilidade da pessoa, entender que ela não está ali por baderna ou algo do tipo, mas por falta de opção melhor. Muitas vezes, não quer perder o senso de pertencimento, a rotina ou o conforto”, destacou.

O encontro, promovido pelo curso de Psicologia, também abordou a importância de preparar profissionais e agentes que atuam diretamente após catástrofes, promovendo estratégias que evitem “desastres dentro do desastre” e contribuam para a reconstrução das comunidades.

“Muitas vezes, o profissional que atua em situações de desastre vivencia um luto silencioso, que não é reconhecido socialmente. Existe a expectativa de que ele esteja sempre preparado, mas a realidade é que ninguém está totalmente imune à dor. Por isso, o cuidado psicológico também precisa ser direcionado a esses profissionais “, contou a psicóloga.

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