Zurich Seguros

Remuneração, independência dos conselhos, riscos climáticos e cibernéticos reforçam lista de preocupações dos investidores em 2024

Remuneração, independência dos conselhos, riscos climáticos e cibernéticos reforçam lista de preocupações dos investidores em 2024/ Foto: Unsplash Remuneração, independência dos conselhos, riscos climáticos e cibernéticos reforçam lista de preocupações dos investidores em 2024/ Foto: Unsplash
Foto: Unsplash

Primeira convidada do ano do podcast IBGC Conecta, Agnes Blanco Querido, diretora-geral da Morrow Sodali no Brasil, detalha os principais assuntos de interesse dos acionistas das companhias abertas brasileiras para a temporada de assembleias, que acontecem entre março e abril

A transparência da política de remuneração de conselheiros e executivos, a independência dos conselhos, a estratégia de mitigação dos impactos das mudanças climáticas sobre os negócios e a política de segurança cibernética são os principais focos dos investidores para as assembleias gerais ordinárias (AGOs) das companhias abertas brasileiras neste ano. A avaliação é da consultoria global de governança Morrow Sodali, que constantemente mapeia as tendências e as melhores práticas para empresas listadas, inclusive no Brasil.

Os pontos de atenção dos acionistas para a temporada 2024 das AGOs, que no País acontecem entre março e abril, foram o assunto da participação da diretora-geral da Morrow Sodali no Brasil, Agnes Blanco Querido, no podcast IBGC Conecta, do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC). Nesta primeira edição do ano, a executiva conversou com Danilo Gregório, gerente de relações institucionais e governamentais da entidade.

Segfy
Publicidade

Agnes Querido destacou um aspecto em que empresas abertas brasileiras em geral ainda carecem de amadurecimento. Diferentemente do que acontece no exterior, muitas companhias locais enxergam a AGO mais como um rito regulatório e menos como uma oportunidade de abertura e fomento de diálogo com os acionistas. “A assembleia é um momento importante para o conselho de administração se engajar com os acionistas. Mas no Brasil, ainda falta um pouco dessa preocupação de a assembleia não ser apenas um rito obrigatório”, disse a executiva, reforçando que a AGO é uma ótima oportunidade para as empresas demonstrarem transparência e preocupação com os acionistas.

Transparência é um aspecto fundamental, por exemplo, para as empresas tratarem da remuneração de sua administração. Essa pauta é presença constante nas políticas das consultorias globais de recomendação de voto (proxy advisor), em especial da Glass Lewis e da ISS (Institutional Shareholder Services).

Essas consultorias analisam os temas corporativos que mais podem ter impacto sobre o retorno para os acionistas e as tendências de governança para emitir recomendações a seus clientes — normalmente, grandes investidores e gestoras de fundos, com ativos de empresas ao redor do mundo — de como devem votar nas AGOs. Por sua vez, a Morrow Sodali acompanha a evolução dessas recomendações, ano a ano.

No IBGC Conecta, a diretora da Morrow Sodali no Brasil ainda comentou que neste ano os investidores estão demandando das companhias abertas brasileiras justificativas mais transparentes para eventuais aumentos de remuneração de conselheiros e executivos. Segundo Agnes Querido, não se trata simplesmente de votar contra esses reajustes, mas os investidores hoje querem saber se a remuneração mais alta está amparada pelo alcance de metas, pelo alto desempenho, pela resiliência dos negócios e sustentação de retorno para os acionistas e demais stakeholders.

“Em relação à remuneração, as principais empresas de orientação estão mais exigentes e, portanto, têm dado mais recomendações de voto contrário para propostas de aumento de remuneração dos administradores. Mas o problema nem sempre é o valor ou a quebra de teto, mas sim a maneira como o reajuste está justificado. Os acionistas querem saber se ele está adequado ou não `performance e ao plano estratégico de longo prazo da companhia”, frisou.

Outro ponto mencionado pela executiva diz respeito à composição do conselho de administração. Nesse sentido, observou, as companhias precisam ter o cuidado de apresentar uma boa narrativa para a formação do conselho, de forma que os acionistas tenham o conforto de saber que aquele colegiado está apto em termos de competências e diversidade e alinhado ao propósito e objetivos estratégicos da empresa. “Na proposta da administração para a assembleia a companhia pode fazer essa comunicação, deixando esse aspecto bem claro”, completou.

A íntegra desta edição do podcast IBGC Conecta está disponível nas principais plataformas de áudio e no link IBGC Conecta.

Tendências de recomendação de voto

Os aspectos mencionados na conversa para o IBGC Conecta estão detalhados em recente pesquisa divulgada pela Morrow Sodali sobre as mudanças nas políticas de recomendação de voto da Glass Lewis e da ISS. A Glass Lewis, por exemplo, inclui na sua política uma avaliação sobre a atuação do conselho de administração para garantir a resiliência operacional da companhia num cenário de transição para uma economia de baixo carbono — o que se torna ainda mais relevante no caso de empresas de setores que têm altas emissões.

Adicionalmente, a consultoria de voto chama a atenção para a necessidade de bons planos de comunicação e de gestão relacionados a eventuais ataques cibernéticos, considerados riscos relevantes para os negócios no mundo todo.

Já a ISS dá destaque à independência do conselho de administração, com um mínimo de um terço de conselheiros independentes para as empresas listadas no Nível 1 de governança da B3 e de pelo menos 50% para as que integram o Novo Mercado (segmento com os requerimentos mais rígidos de governança). Essa régua da ISS vai além do mínimo exigido pela regulamentação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que é de 20% de independentes para todas as companhias de capital aberto, conforme a Resolução 168/2022.

O levamento completo da Morrow Sodali está no link https://morrowsodali.com/uploads/insights/attachments/265b4957621c474aa7ac34570dfd79a5.pdf

Inscreva-se para receber as notícias do mercado!

Ao clicar no botão Assinar, você confirma que leu e concorda com nossa Política de Privacidade e nossos Termos de Uso.
Grupo HDI
Publicidade