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Risco climático, seguros e a pressão crescente sobre apólices, limites e decisões estratégicas

Simone Ramos, Diretora de Portos e Logística da Lockton / Foto: Divulgação
Simone Ramos, Diretora de Portos e Logística da Lockton / Foto: Divulgação

Confira artigo de Simone Ramos, Diretora de Portos e Logística da Lockton

Os números de 2025 deixam claro que o risco climático já opera como um fator financeiro relevante. Ao mesmo tempo, o mercado segurador passou a lidar com um novo padrão de perdas — mais frequente e com impactos diretos sobre as coberturas tradicionais.

Dados consolidados de grandes resseguradoras confirmam essa mudança estrutural. Segundo a Munich Re, os eventos climáticos extremos registrados em 2025 resultaram em aproximadamente US$ 224 bilhões em perdas econômicas globais, sendo US$ 108 bilhões em perdas seguradas, mesmo em um ano sem grandes furacões atingindo os Estados Unidos. Esse comportamento reforça que perdas relevantes estão sendo impulsionadas por eventos considerados secundários, como incêndios florestais, tempestades severas e enchentes localizadas, agora com frequência e severidade comparáveis aos riscos tradicionais de pico.

O Allianz Risk Barometer 2026, elaborado com a participação de mais de 3.300 especialistas em risco de quase 100 países, reforça esse cenário ao posicionar a Interrupção de Negócios (Business Interruption) entre os principais riscos corporativos globais. O relatório destaca que impactos climáticos sobre cadeias de suprimento, logística, acesso, energia e infraestrutura crítica são vetores centrais dessa exposição. Um dado especialmente relevante é que apenas 3% das empresas consideram suas cadeias de suprimento “muito resilientes”, evidenciando a fragilidade operacional frente a eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes.

Esses estudos são aprofundados por iniciativas como o SONAR, do Swiss Re, que atua como um radar de riscos emergentes. O SONAR chama atenção para a combinação de riscos físicos, operacionais e sistêmicos associados ao clima, destacando o aumento da volatilidade climática fora dos padrões históricos, a ocorrência de eventos compostos e a crescente pressão sobre modelos tradicionais de precificação, subscrição e definição de limites.

Na prática, esse contexto traz implicações diretas para empresas e gestores de risco:

  • Apólices de riscos nomeados podem não refletir adequadamente eventos climáticos híbridos ou combinados;
  • Limites contratados, definidos com base em históricos defasados, podem não acompanhar a nova frequência e severidade dos eventos;
  • Análises de risco desatualizadas comprometem decisões de renovação, retenção e transferência de risco.

É nesse ponto que a gestão estruturada de risco climático deixa de ser conceitual e passa a ser operacional.

Na Lockton, desenvolvemos uma metodologia própria de modelagem de risco climático, que parte da análise detalhada das características do negócio e das condições regionais de exposição. A partir desse diagnóstico, são definidos gatilhos técnicos adequados, alinhando cenários climáticos, impactos operacionais e estruturas de seguro.

Essa abordagem permite conectar exposição real, continuidade operacional e desenho de programas de seguro, oferecendo suporte técnico para revisão de limites, adequação de coberturas e tomada de decisão estratégica.

No Brasil, discussões técnicas conduzidas no âmbito da CNseg reforçam que a resiliência climática exige a integração entre seguro, ciência, planejamento territorial e gestão corporativa, tratando o risco climático como elemento central da estratégia empresarial.

A conclusão é objetiva: o risco climático já está impactando balanços, operações e programas de seguros. A diferença entre absorver ou sofrer essas perdas está diretamente relacionada à qualidade da análise de risco, à definição adequada de gatilhos técnicos e à coerência entre exposição real e proteção contratada.

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