A inteligência artificial deixou de ser conceito e começou a virar rotina operacional na ponta do mercado, onde a venda realmente acontece.
Essa foi uma das mensagens mais fortes do episódio do podcast Universo do Seguro com Marcos Roque Villa, CEO da Segfy, que apresentou a visão da empresa para a próxima onda de produtividade nas corretoras e detalhou como Multify e Foxfy foram desenhados para reduzir atrito, acelerar a resposta ao cliente e devolver tempo ao corretor. “Eu acredito que nós estamos no começo de uma mudança muito grande”, sintetizou, ao projetar uma virada na experiência do usuário. Na leitura dele, a era de telas e formulários tende a perder espaço para um modelo conversacional, em que o profissional “passa a conversar com a tecnologia”, pedindo o que precisa de forma natural, por voz ou texto.
Uma história que começa em 1992, com papel, calculadora e dor real no dia a dia
A trajetória do executivo ajuda a explicar a tese. Marcos veio da tecnologia na indústria metal-mecânica e entrou no mercado de seguros a partir de um problema bem prático de um amigo corretor, ainda em 1992: não existia sistema para controlar vendas e fechar comissões, e o trabalho seguia no manual. “Era tudo no livrinho, na caneta, na mão, na calculadora”, lembrou. A partir daí, veio a decisão de empreender e criar um software para resolver aquele gargalo. O detalhe que ele faz questão de sublinhar é que a plataforma não nasceu “de gabinete”. Ela foi sendo montada com o corretor no centro, no formato de construção colaborativa. “Eu não entendia nada de seguro… e fui construindo junto com os corretores”, relatou, ao explicar por que a Segfy mantém até hoje a lógica de ouvir, validar, testar e ajustar com quem está na linha de frente. Na visão dele, o corretor não é apenas usuário, mas coautor do que vai para o mercado.
Tecnologia como meio para ampliar proteção e liberar o corretor do trabalho “enfadonho”
Ao longo do episódio, a tecnologia aparece menos como “moda” e mais como ferramenta de impacto direto na proteção. O argumento é que automatizar o operacional significa abrir espaço para o corretor fazer aquilo que nenhum sistema substitui: orientar, explicar, convencer, personalizar e proteger mais gente. “Quanto mais tempo a gente consegue liberar o corretor, melhor. Ele vai proteger mais pessoas”, pontuou, conectando eficiência a uma função social do seguro. Em um trecho pessoal, trouxe experiências próprias para reforçar a diferença entre ter e não ter cobertura em momentos críticos, como forma de sustentar o discurso de que o seguro precisa chegar a mais brasileiros.
“O corretor anseia por tecnologia”: o mito da resistência e a realidade do balcão
Um ponto que chamou atenção foi a defesa do corretor, especialmente o perfil mais tradicional. Marcos contestou a ideia de que quem está há décadas no setor evita inovação. Para ele, a resistência costuma cair quando o ganho é visível. Se a ferramenta entrega resultado, a adoção vem rápido. No mesmo raciocínio, ele descreveu o tamanho da complexidade que o corretor administra no dia a dia, sobretudo quando compara produtos de várias seguradoras, com questionários extensos, cláusulas e diferenças de aceitação. Nesse contexto, reforçou a importância de plataformas de multicálculo e gestão como algo quase inevitável para quem quer ganhar escala e velocidade sem perder controle.
Multify: self-service, entrada gratuita e cobrança por uso, sem limite de usuários
Entre as novidades, Marcos detalhou o Multify como uma resposta à barreira de entrada que muitos corretores iniciantes enfrentam. A Segfy, segundo ele, historicamente oferecia uma plataforma única de gestão e multicálculo, com cobrança por usuário. O Multify surge após a divisão desse modelo e chega com uma proposta mais simples de adesão. O caminho é direto: cadastro no site, ativação imediata e um período de cálculos gratuitos até um limite. A partir dali, entram os planos.
O ponto central do produto, conforme apresentado, está no formato de cobrança: em vez de limitar o número de usuários, o Multify segue a lógica de “pagar pelo uso”. Isso permite que o corretor adicione quantos vendedores quiser e controle a operação, mantendo previsibilidade. Outro detalhe enfatizado é que a contabilização considera apenas cálculos que retornam prêmio, evitando que tentativas sem resposta virem custo. Na prática, o discurso é de democratizar o acesso, permitir teste e facilitar escala para quem está entrando ou crescendo.
Foxfy: WhatsApp no centro, IA na coleta e a promessa de resposta em minutos
Se o Multify mira acessibilidade e volume, o Foxfy entra como aposta de mudança de experiência. Marcos costurou a tese a partir de dois comportamentos que, segundo ele, se repetem no mercado: a vantagem competitiva de responder primeiro e a predominância do WhatsApp como canal de início de negócio. Ele citou uma pesquisa que aponta mais de 70% de probabilidade de fechamento quando o corretor é o primeiro a responder, além do dado de que mais de 90% das negociações começam no WhatsApp. A partir dessa combinação, nasceu a ambição de reduzir drasticamente o tempo entre o pedido e a entrega de opções ao cliente.
O Foxfy, na fase inicial, mira automóvel e caminhão e foi descrito como um aplicativo integrado ao WhatsApp e orientado por IA. A operação, conforme detalhada no podcast, pode funcionar por voz, texto ou com um agente que conversa com o segurado para coletar informações básicas. O objetivo é partir de poucas entradas e devolver rapidamente um recorte inicial de ofertas. Marcos descreveu o fluxo com a promessa de que, após receber a última informação, em cerca de 30 segundos a 1 minuto o corretor já teria no celular as três melhores ofertas por preço, com espaço para refinar depois, ajustando variáveis como coberturas e comissionamento.
Além disso, mencionou recursos como captura por imagem para leitura de placa e atualização automática de dados, reforçando a tese de “não digitar mais campos” e transformar a cotação em um processo conversacional. No momento da gravação, ele citou mais de 30 corretores em teste e uma lista de espera com mais de 500 cadastrados, mesmo antes de uma divulgação mais intensa, com expectativa de lançamento em breve.
LGPD, independência e dados na nuvem: o recado para o mercado
O episódio também tocou em um tema inevitável: dados. Marcos abordou boatos surgidos após a entrada de um fundo de investimento ligado à Porto Seguro e reforçou a independência da Segfy. Ele colocou a legalidade como regra inegociável e trouxe um ponto operacional ao público: o armazenamento, segundo ele, fica na AWS, com a empresa assumindo responsabilidade direta pelos dados dos corretores. Foi um trecho de tom firme, voltado a reduzir ruído e deixar claro que governança e conformidade fazem parte do pacote de inovação.
Cultura, pessoas e IA: a produtividade que “não tem volta”
Ao falar de futuro, Marcos defendeu que a IA não é uma onda passageira. Ele tratou como irreversível e conectou o tema à produtividade do próprio dia a dia, com uma observação prática: não basta usar, é preciso saber orientar, testar e refinar, porque a ferramenta depende de instrução bem feita. A mensagem final aos corretores veio na linha do “comece a usar”, sem desespero, mas com curiosidade e consistência, porque, no entendimento dele, a transformação já começou e está mudando a forma de trabalhar.
Nesse sentido, a Segfy se posiciona como uma empresa que quer empurrar o mercado para um modelo em que velocidade e simplicidade não sejam “luxo”, mas padrão. Multify e Foxfy entram nesse tabuleiro como duas peças complementares: uma para ampliar acesso e escala no multicálculo, outra para atacar o gargalo mais sensível da venda, que é o tempo entre a mensagem no WhatsApp e a cotação na mão. Se a promessa vai se confirmar na rotina de milhares de corretores, o mercado deve ver de perto ainda em 2026, com a chegada das próximas fases do Foxfy e a expansão para novos ramos.
