Falas de Roberto Santos, da CNseg, e Alessandro Octaviani, da Susep, reforçam o papel estratégico do seguro para dar mais segurança a investimentos em infraestrutura e reduzir a exposição econômica a desastres
O seguro vem ganhando espaço em discussões que vão além da proteção tradicional de bens e operações. Em meio ao avanço das concessões, das parcerias público-privadas (PPPs) e ao aumento dos impactos causados por eventos climáticos extremos, o setor passa a ser visto como instrumento cada vez mais importante para dar sustentação a investimentos, reduzir incertezas e ampliar a resiliência econômica do País.
A avaliação foi reforçada por lideranças do mercado e da regulação, que defenderam maior integração das soluções securitárias às políticas públicas e aos projetos estruturantes da economia brasileira.
Seguro além da indenização
Ao abordar o papel do setor diante dos desafios atuais, o presidente do Conselho Diretor da CNseg, Roberto Santos, defendeu uma visão mais ampla sobre a função do seguro na sociedade e na economia.
“Precisamos que o seguro seja compreendido não apenas como um mecanismo de indenização, mas como um parceiro estratégico capaz de promover adaptação, estimular investimentos eficientes e contribuir para um país mais preparado para enfrentar os desafios do nosso tempo”, afirmou Santos.
A fala sintetiza uma mudança de percepção que vem sendo construída no setor. Em vez de ser visto apenas como proteção acionada após o dano, o seguro passa a ser tratado também como ferramenta de planejamento, continuidade e estabilidade, especialmente em ambientes que exigem previsibilidade e segurança jurídica.
Infraestrutura, concessões e PPPs
Esse entendimento ganha força sobretudo em áreas como infraestrutura, concessões e PPPs. Em projetos dessa natureza, a presença do seguro pode ajudar a mitigar riscos operacionais, proteger ativos, dar maior confiança a investidores e reduzir impactos financeiros em situações de atraso, falha ou interrupção.
Na prática, a ampliação do uso de soluções securitárias nesses empreendimentos pode contribuir para a solidez dos contratos e para a execução mais segura de obras e serviços essenciais. Trata-se de uma agenda que dialoga com a necessidade de tornar o ambiente de investimentos mais robusto, ao mesmo tempo em que oferece instrumentos de proteção para o poder público, operadores e financiadores.
Nesse cenário, o seguro deixa de ocupar um papel acessório e passa a integrar a lógica de estruturação dos próprios projetos, funcionando como apoio à continuidade dos negócios e à redução de vulnerabilidades.
Desastres climáticos expõem lacuna de proteção
Outro ponto que vem impulsionando esse debate é o aumento da frequência e da intensidade dos eventos climáticos extremos. O tema foi destacado pelo superintendente da Susep, Alessandro Octaviani, ao chamar atenção para o tamanho da lacuna de proteção ainda existente no Brasil.
Ao citar as enchentes no Rio Grande do Sul, Octaviani lembrou que os prejuízos chegaram a cerca de R$ 100 bilhões, mas apenas uma pequena parcela desse total foi coberta por seguros.
“Temos um gap de proteção muito grande. Quando essa conta não é coberta por seguros, acaba recaindo sobre o Estado e sobre o contribuinte. Precisamos construir políticas públicas capazes de reduzir essa lacuna”, comentou o superintendente.
A observação reforça um problema estrutural. Quando perdas de grande escala não encontram cobertura suficiente, o impacto se espalha por empresas, famílias, cadeias produtivas e pelos cofres públicos, dificultando a recuperação econômica e ampliando a dependência de respostas emergenciais.
Proteção econômica e interesse público
A discussão, portanto, não interessa apenas ao mercado segurador. Em um país exposto a riscos climáticos, gargalos de infraestrutura e desafios de financiamento de longo prazo, ampliar a presença do seguro também significa fortalecer mecanismos de proteção econômica mais abrangentes.
Em concessões e PPPs, isso pode representar maior segurança para investimentos e mais robustez para os empreendimentos. Já diante de desastres, a expansão da cobertura pode reduzir perdas não indenizadas e aliviar parte da pressão que hoje recai sobre o Estado.
Um papel mais estratégico para o setor
As falas de Roberto Santos e Alessandro Octaviani apontam para uma mesma direção: a de que o seguro pode assumir protagonismo maior em temas centrais para o desenvolvimento do País.
Mais do que responder a sinistros, o setor busca se posicionar como aliado da infraestrutura, da estabilidade econômica e da adaptação a riscos cada vez mais complexos. Em um ambiente de transformação climática e necessidade de novos investimentos, a tendência é que o debate sobre proteção securitária ganhe ainda mais relevância nos próximos anos.



