Alta nas vendas de elétricos e híbridos em 2026 leva seguradoras a adaptar coberturas e ampliar proteções específicas para a nova geração de veículos
Os carros elétricos e híbridos avançam rapidamente pelas ruas brasileiras, e essa mudança já começa a redesenhar também o mercado de seguros. Dados divulgados pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) apontam que, em janeiro de 2026, foram emplacadas mais de 23 mil unidades entre elétricos puros e híbridos, um crescimento expressivo em relação ao mesmo período do ano passado, quando o volume ficou pouco acima de 12 mil unidades. Hoje, esse modelos já representam cerca de 15% das vendas de automóveis leves no país.
Com a expansão da oferta e da demanda dos eletrificados, as seguradoras passaram a rever produtos e coberturas para atender às especificidades desses modelos. Isso porque, diferentemente dos veículos movidos exclusivamente a combustão, carros elétricos e híbridos possuem baterias de alta voltagem, sistemas eletrônicos avançados e estruturas que exigem mão de obra especializada para reparos. Esses fatores impactam tanto a precificação quanto o desenho das apólices.
Entre as adaptações mais comuns estão coberturas específicas para baterias, um dos componentes mais caros do veículo, proteção para cabos e equipamentos de recarga, além de serviços de assistência com reboque apropriado para veículos eletrificados. Algumas seguradoras já oferecem cobertura para estações de recarga instaladas em residências ou condomínios e vêm ampliando a rede de oficinas credenciadas preparadas para atender veículos com essa tecnologia.
Para Philippe Enke Mathieu, CEO da GFX, empresa que atua com soluções em seguros e mobilidade, o consumidor precisa estar atento às diferenças na contratação. “O crescimento dos veículos eletrificados exige um olhar mais técnico na escolha do seguro. Para quem tem um carro elétrico, não basta contratar a cobertura tradicional, é preciso entender se a apólice contempla bateria, sistema elétrico e equipamentos de recarga, por exemplo”, alerta.
O especialista lista seis orientações para quem está avaliando a contratação de um seguro para carro elétrico:
1) Verifique a cobertura da bateria e do sistema elétrico
A bateria é um dos componentes mais caros do veículo e pode representar grande parte do custo em caso de sinistro. “Não se trata apenas uma peça, é o coração do carro elétrico. Por isso, se a apólice não detalha essa cobertura, o consumidor pode ter uma surpresa desagradável quando mais precisar”, alerta o especialista.
2) Confirme se há assistência com reboque adequado
Carros elétricos não podem ser rebocados de qualquer maneira, sob risco de causar danos ao sistema de tração. Nesse caso, é preciso garantir guincho com plataforma apropriada para preservar a integridade do veículo.
3) Avalie a proteção para equipamentos de recarga
Carregadores portáteis e wallboxes residenciais nem sempre estão incluídos na cobertura padrão. Na hora de contratar um seguro, é importante estar atento: incluir esses itens na apólice evita prejuízos em casos de roubo, dano elétrico ou acidentes domésticos.
4) Analise franquias e custos de reparação
Peças e mão de obra especializadas podem influenciar diretamente o valor da franquia.
É essencial comparar condições entre diferentes seguradoras para conseguir o valor mais adequado ao melhor nível de proteção para o veículo. “Nosso trabalho é justamente ajudar o proprietário a encontrar o seguro mais indicado para cada caso, orientando sobre as opções que atendem melhor cada necessidade”, ressalta Mathieu.
5) Verifique a rede de oficinas credenciadas
Nem todas as oficinas estão preparadas para reparar veículos eletrificados com segurança.
Portanto, é fundamental garantir que a seguradora tenha parceiros capacitados, tecnologia avançada e profissionais treinados para atender carros elétricos.
6) Busque orientação especializada antes de fechar contrato
O perfil de uso, seja urbano, rodoviário ou os dois casos, influencia o tipo de cobertura mais adequado. Contar com consultoria especializada ajuda a personalizar a apólice e evitar lacunas na proteção na hora de maior necessidade.
