MAPFRE

Seguro rural perde fôlego e projeção para 2026 aponta retração no mercado

Seguro rural perde fôlego e projeção para 2026 aponta retração no mercado / Foto: Land O'Lakes, Inc. / Divulgação Seguro rural perde fôlego e projeção para 2026 aponta retração no mercado / Foto: Land O'Lakes, Inc. / Divulgação
Foto: Land O'Lakes, Inc. / Divulgação

Com menos apoio público, arrecadação recua, área protegida encolhe e setor acende alerta para aumento da exposição do agronegócio aos riscos climáticos e financeiros

O mercado de seguro rural entrou em 2026 sob sinais mais fortes de desaceleração. Após fechar 2025 em queda, o segmento agora caminha para mais um ano de retração, em um cenário marcado por redução da arrecadação, encolhimento da área agrícola segurada e incertezas em torno dos recursos destinados à subvenção federal ao prêmio.

A nova estimativa divulgada nesta quarta-feira, 9 de abril, aponta queda nominal de 3,9% na arrecadação do seguro rural em 2026. A previsão anterior indicava crescimento de 2,3%, mas foi revisada diante da piora no ambiente de contratação. Em janeiro, o segmento já havia registrado recuo de 12,2%, com arrecadação de R$ 1,1 bilhão.

Os números reforçam a continuidade de um movimento de perda de força observado ao longo do ano passado. Em 2025, a arrecadação do seguro rural somou R$ 12,9 bilhões, resultado 8,8% inferior ao de 2024.

Segfy
Publicidade

Cobertura menor em um cenário de mais risco

Além da retração financeira, outro dado chama atenção no setor: a redução da área agrícola protegida por apólices. O Brasil já chegou a registrar cerca de 13,7 milhões de hectares segurados, mas esse volume caiu para pouco mais de 3 milhões de hectares em 2025, o equivalente a 3,3% da área plantada nacional.

A queda da cobertura ocorre justamente em um momento de pressão crescente sobre o campo. Eventos climáticos extremos vêm elevando o nível de risco para a atividade agropecuária, ampliando as perdas e exigindo instrumentos mais robustos de proteção. Segundo dados apresentados pelo setor, o Brasil tem registrado perdas médias de aproximadamente R$ 60 bilhões por ano em razão de eventos climáticos, com forte impacto sobre a produção agrícola.

Nesse contexto, a redução da cobertura do seguro rural amplia a vulnerabilidade do agronegócio em um ambiente já marcado por instabilidade climática e financeira.

Falta de subvenção trava o mercado

No centro da discussão está o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural, mecanismo que ajuda a reduzir o custo da apólice para o produtor. Sem recursos suficientes para sustentar o programa, a tendência é de retração na contratação, principalmente entre produtores mais sensíveis ao custo do seguro.

Segundo o presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, a insuficiência orçamentária foi o principal fator por trás da revisão das projeções para este ano. “O principal fator é que ainda não tivemos, no orçamento deste ano, os recursos necessários para retomar a trajetória de crescimento do seguro rural. Isso acaba travando o mercado e levou à revisão da projeção”, afirmou.

A avaliação do setor é de que a escassez de apoio público acaba gerando um efeito em cadeia. Com menos produtores contratando cobertura, a base segurada diminui, o risco médio da carteira aumenta e os preços tendem a subir, o que dificulta ainda mais a expansão do mercado.

“O seguro funciona pela diluição do risco. Quando menos produtores participam, o custo médio sobe e o mercado perde competitividade”, disse Oliveira.

Ciclo de retração preocupa mercado

O enfraquecimento do seguro rural preocupa porque ocorre em um momento em que o agronegócio brasileiro passa por mudanças em sua estrutura de financiamento. Com maior participação de capital privado no campo, cresce também a demanda por mecanismos de proteção que ofereçam segurança a produtores, financiadores e investidores.

Na avaliação do mercado, a ausência de uma política mais estável para o seguro rural pode comprometer justamente essa transição. Sem previsibilidade no apoio à subvenção e sem instrumentos que ajudem a suavizar anos de alta sinistralidade, o segmento tende a continuar pressionado.

Entre as propostas defendidas por representantes do setor estão a garantia de orçamento estável para o programa de subvenção e a criação de um fundo de estabilização do seguro rural, com o objetivo de reduzir a volatilidade dos prêmios e dar maior sustentação ao sistema em períodos de perdas elevadas.

Também está em discussão no Congresso Nacional um projeto de lei relatado pelo deputado Pedro Lupion e de autoria da senadora Tereza Cristina, que busca impedir o contingenciamento dos recursos do programa e estruturar esse fundo.

Agronegócio mais exposto

Com a proteção encolhendo e o risco climático em alta, o seguro rural volta ao centro do debate sobre resiliência no campo. Para o mercado, a retração atual não afeta apenas seguradoras e produtores, mas também a previsibilidade de um setor estratégico para a economia brasileira.

“Com mais financiamento privado no campo, cresce a necessidade de mecanismos que transmitam segurança ao investidor. O seguro é uma peça fundamental para garantir estabilidade e confiança no sistema”, afirmou Oliveira.

O quadro desenhado para 2026 indica que, sem expansão consistente da cobertura e sem reforço estrutural ao modelo de subvenção, o seguro rural deve seguir perdendo espaço justamente quando o agronegócio mais precisa de proteção.

Inscreva-se para receber as notícias do mercado!

Ao clicar no botão Assinar, você confirma que leu e concorda com nossa Política de Privacidade e nossos Termos de Uso.
Tokio Marine Seguradora
Publicidade