Europ Assistance Brasil

Split payment: a mudança que vai tirar dinheiro do caixa antes de você receber

Foto: Unsplash Foto: Unsplash
Foto: Unsplash

Novo mecanismo de arrecadação muda a lógica do recebimento e setores como comércio e construção civil estão entre os mais expostos

As empresas brasileiras estão acostumadas a receber primeiro e pagar imposto depois. A Reforma Tributária vai mudar essa ordem e o impacto direto é no caixa.

O novo modelo se chama split payment. A partir de 2027, quando uma venda for realizada, o valor dos tributos será retido automaticamente no momento do pagamento, antes de qualquer centavo chegar à conta da empresa. Segundo estimativas da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), essa antecipação pode reduzir o capital de giro em até 15%.

Sancor Seguros
Publicidade

Para entender o que muda: numa venda de R$1.000 com carga tributária de 28%, hoje o vendedor recebe os R$ 1.000 integrais e depois separa R$ 280 para o governo. Com o split payment, essa divisão acontece no ato, R$ 720 vão para o vendedor, R$ 280 seguem direto ao Fisco. O dinheiro que antes transitava pelo caixa da empresa deixa de existir para ela.

“O split payment significa que as empresas deixam de contar com o valor total das vendas para compor seu fluxo de caixa e precisam se preparar para operar com menos liquidez desde o início”, afirma Marcos Jr., CEO da Invent Software. Ele alerta que setores com margens apertadas, como comércio e construção civil, devem sentir mais o impacto.

O sistema será aplicado ao IBS e à CBS, novos tributos que substituem ICMS, ISS, IPI, PIS e Cofins. A transição começa antes do previsto: em 2026, empresas já entram num projeto-piloto com alíquotas simbólicas. Em 2027, o modelo poderá ser adotado de forma facultativa em operações B2B, com expansão prevista para o varejo, onde será obrigatório.

O modelo não é inédito no mundo. Itália adotou mecanismo similar no setor público e registrou queda na sonegação. Mas há casos em que a experiência não foi bem-sucedida, Bulgária e Romênia abandonaram o sistema após enfrentar complexidades operacionais. A aposta do Brasil é que a infraestrutura tecnológica já consolidada (NF-e, NFC-e e Pix) favorece uma implementação mais sólida.

“O split payment aproxima o Brasil de práticas adotadas em países que utilizam o IVA e pode contribuir para um ambiente de negócios mais transparente. O sucesso dependerá da capacidade das empresas de se preparar para um modelo que antecipa a saída do dinheiro e exige mais disciplina financeira”, conclui Marcos Jr.

Inscreva-se para receber as notícias do mercado!

By pressing the Subscribe button, you confirm that you have read and are agreeing to our Privacy Policy and Terms of Use
Tokio Marine Seguradora
Publicidade