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Split Payment: entenda como vai funcionar novo modelo que virá com Reforma Tributária

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Especialista da Contabens, contabilidade com 34 anos de atuação em Santa Catarina, explica que novo formato de recolhimento de tributos deve ter adesão gradual

2026 marca o ano em que empresas de todos os portes devem começar a se preparar para a Reforma Tributária, que deve ser implementada até 2033 no Brasil. Uma das principais novidades, que tem gerado dúvidas nos empresários, é o Split Payment, novo modelo de recolhimento de tributos automático.

Maicon Sehnem, contador e sócio da Contabens, contabilidade catarinense com 34 anos de atuação, explica que na hora de pagar por um produto ou serviço, o valor do tributo será automaticamente direcionado ao governo e o valor líquido ao vendedor. “Imagine que um vendedor comercializa um produto no valor de R$ 1 mil. No modelo atual, esse valor todo entra em conta, e depois ele faz o repasse dos impostos ao governo. Com o Split Payment, supondo que os impostos totalizem R$ 100, ele vai receber apenas R$ 900 e o resto já vai diretamente para o governo”, afirma.

O especialista explica que uma das maiores preocupações dos empresários deve ser a movimentação do caixa, já que com o novo modelo vai haver uma quantidade significativa a menos de dinheiro circulando dentro da empresa. “Os empresários precisam estar muito bem assessorados na questão contábil e jurídica para passar por essa transição sem perder competitividade e colocar a sustentabilidade do negócio em risco”, destaca.

O Split Payment vai automatizar o recolhimento do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), e será integrado aos principais meios de pagamento, como PIX e cartões de crédito e débito.

“A transição para a Reforma Tributária já começou este ano em fase de testes. Nas notas fiscais já está destacado o IBS e CBS a título informativo, sem cunho financeiro por enquanto. A partir de 2027 já inicia a implantação do Split Payment, começando de forma facultativa para operações B2B, de empresas para empresas. Depois deve se tornar obrigatório para toda a operação B2B e posteriormente para o todo o varejo, chegando a padarias, supermercados e pequenos negócios em geral”, explica.

Com o novo modelo, virá uma mudança drástica na forma de apurar o imposto e na forma de apropriar o crédito. Isso acontece porque o imposto hoje é por regime de competência, e a partir da Reforma Tributária e do Split Payment será por regime de caixa, ou seja: enquanto o fornecedor não pagar o imposto, o cliente ou a outra empresa não pode ter o crédito, fazendo com que o próprio cliente cobre o pagamento do imposto.

Para os empresários que buscam se adequar às novas regras, Maicon conta que as orientações são manter controle do fluxo de caixa, tentar construir uma reserva financeira e identificar a precificação dos produtos.

“Será uma transição complexa, porque nosso sistema tributário atual já é complexo, e teremos que lidar com um sistema antigo, migrar parcialmente para um sistema novo, lidando com novas normativas que saem a todo momento da receita federal, e ainda não temos alíquota definida para os novos impostos. O empresário precisa buscar conhecimento, um bom parceiro contábil, um advogado tributarista, boas consultorias para dar todo esse suporte, seja na parametrização do sistema que é a parte burocrática ou seja na parte comercial para que ele consiga embutir todos esses impostos nos produtos e manter a rentabilidade para ter o seu negócio em dia”, finaliza.

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