A escalada de eventos climáticos severos e mais frequentes vem reposicionando o mapa de riscos para seguradoras, resseguradoras e grandes empresas. Em novo estudo Sigma, o Swiss Re Institute aponta que incêndios florestais, tempestades convectivas severas e inundações seguem ganhando protagonismo e já respondem por uma fatia recorde das perdas seguradas em catástrofes naturais, em um cenário que amplia o debate sobre resiliência e proteção adequada em regiões ainda pouco seguradas.
Perdas seguradas seguem elevadas e com protagonismo de incêndios e tempestades
De acordo com o Swiss Re Institute, as perdas econômicas globais por catástrofes naturais somaram cerca de US$ 220 bilhões em 2025, com aproximadamente 49% desse total coberto por seguros, a maior participação registrada na série do sigma.
No recorte das perdas seguradas, o estudo estima US$ 107 bilhões em perdas seguradas por catástrofes naturais no ano e destaca que riscos classificados como “secundários” responderam por 92% das perdas seguradas globais no período, impulsionados por incêndios florestais, tempestades severas e enchentes.
Proteção ainda é baixa em emergentes e o gap segue como tema central
Apesar do avanço da cobertura em mercados maduros, o relatório reforça que o “gap” de proteção permanece amplo em economias emergentes, onde tipicamente 80% a 90% das perdas por catástrofes não são cobertas por seguro.
É nesse contexto que a discussão sobre prevenção e transferência de risco ganha peso para empresas expostas a volatilidade climática, interrupção de operações e danos patrimoniais, sobretudo em regiões onde o seguro ainda não acompanha a velocidade de mudança do risco.
América Latina: mais riscos severos e perdas seguradas ainda baixas
Para a Swiss Re Corporate Solutions, a região já sente esse deslocamento de perfil. “A América Latina está sendo impactada pelo aumento da ocorrência de riscos secundários, como chuvas intensas, tempestades de vento, inundações e granizo, que agora representam altos riscos em toda a região. Ao mesmo tempo, as perdas seguradas por catástrofes em nossos países permanecem baixas, especialmente quando comparadas a outras regiões, com empresas e comunidades ainda subprotegidas diante do impacto crescente de eventos climáticos severos. Fortalecer a resiliência por meio de maior conscientização sobre riscos, medidas de prevenção e soluções de seguro será fundamental à medida que a exposição aumenta e a volatilidade climática continua”, comenta Guilherme Perondi, CEO Swiss Re Corporate Solutions.
O que o mercado olha agora
O estudo do Swiss Re Institute também chama atenção para a necessidade de adaptação e mitigação de risco como pilares para manter a segurabilidade no longo prazo, em um ambiente em que perdas por catástrofes seguem uma tendência histórica de crescimento anual.
Na prática, o recado para o mercado é direto: mapear exposição com mais granularidade, reforçar medidas de prevenção e calibrar soluções de seguro e resseguro para riscos que deixaram de ser “pontuais” e passaram a pressionar a sinistralidade de forma recorrente.



