Especialistas defendem que modalidade é um direito fundamental diante do impacto direto na vida das classes B e C
O avanço da telemedicina no Brasil deixou de ser apenas uma tendência tecnológica para se tornar uma necessidade social. Com milhões de brasileiros enfrentando barreiras de acesso à saúde, seja por distância, falta de oferta de especialistas ou custos elevados, cresce o debate sobre a urgência de reconhecer a telemedicina como um serviço essencial e garantido por políticas públicas permanentes.
Para especialistas do setor, a questão ultrapassa o campo da inovação e entra no terreno dos direitos fundamentais. O acesso à saúde está previsto na Constituição, mas a realidade mostra que grande parte da população, principalmente das classes B e C, encontra na telemedicina a única porta de entrada rápida, acessível e contínua ao cuidado médico.
“A telemedicina democratizou algo que antes era privilégio: ser atendido de forma ágil, com qualidade e sem a barreira geográfica”, afirma Antonio Paschoal, diretor de marketing da PicDoc. “Quando olhamos para o impacto real na vida das classes B e C, fica evidente que não se trata mais de conveniência e sim de garantia de dignidade e acesso básico”.
Nos últimos anos, plataformas de consulta online têm registrado crescimentos expressivos, impulsionadas pela demanda de quem busca atendimento imediato para sintomas agudos, acompanhamento de doenças crônicas, emissão de laudos e orientações médicas confiáveis. Em muitos municípios, a telemedicina já é o elo que conecta pacientes a especialistas que não existem localmente.
Outro ponto que reforça o debate é a redução dos custos, tanto para o sistema de saúde quanto para as famílias. Consultas online eliminam deslocamentos, diminuem filas e ampliam a eficiência dos profissionais. Para os pacientes, representa economia, conforto e a possibilidade de receber orientação médica mesmo em situações simples, evitando agravamentos.
“Quando uma mãe consegue falar com um pediatra em minutos, quando um trabalhador evita perder um dia inteiro para conseguir atendimento, quando um idoso recebe acompanhamento contínuo sem depender de transporte urbano, estamos falando de inclusão e cidadania”, completa Paschoal. “Reconhecer a telemedicina como essencial é reconhecer essas pessoas”.
Defensores do tema argumentam que o próximo passo deve ser ampliar regulamentações que fortaleçam a prática, garantindo segurança, padronização e integração com o sistema público. Além disso, sugerem que políticas de incentivo e parcerias público-privadas podem acelerar o acesso, principalmente para populações vulneráveis.
Enquanto o país discute os rumos da saúde digital, números e depoimentos mostram que a telemedicina já cumpre um papel que vai além da inovação: ela preenche lacunas históricas e redefine o futuro do cuidado médico no Brasil. Para muitos brasileiros, é mais que uma alternativa, é uma necessidade essencial.
