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Tendências contemporâneas em gerenciamento de projetos: integração entre estratégia, risco, sustentabilidade e tecnologias emergentes

Gianfranco Muncinelli, especialista em Gestão de Projetos e Cibersegurança / Foto: Divulgação
Gianfranco Muncinelli, especialista em Gestão de Projetos e Cibersegurança / Foto: Divulgação

Confira artigo de Gianfranco Muncinelli, especialista em Gestão de Projetos e Cibersegurança

O gerenciamento de projetos vive hoje uma transformação profunda. O que antes era visto principalmente como um conjunto de técnicas operacionais voltadas a prazo, custo e escopo passa a ocupar um espaço estratégico dentro das organizações. Projetos tornam-se instrumentos centrais de governança, criação de valor, gestão de riscos complexos e sustentação de estratégias de longo prazo. Essa mudança ganha especial relevância em ambientes de formação avançada, como programas de mestrado em Negócios, Cibersegurança e Inteligência Artificial, nos quais projetos são tratados como decisões sob incerteza.

Nos programas de Negócios, consolida-se a compreensão de que projetos são o principal meio de execução da estratégia organizacional. Eles se conectam diretamente à gestão de portfólio, à alocação de capital e aos sistemas de governança corporativa. A avaliação de projetos deixa de se limitar à eficiência operacional e passa a considerar sua contribuição ao desempenho global da organização, à resiliência e ao alinhamento estratégico. Esse movimento exige maior rigor na definição de escopo, na gestão de partes interessadas e, sobretudo, na gestão de riscos, aproximando o gerenciamento de projetos das pautas típicas da alta administração e dos conselhos.

Na área de Cibersegurança, essa convergência é ainda mais evidente. Projetos lidam com ativos intangíveis, ameaças em constante evolução e impactos financeiros potencialmente elevados e assimétricos. Muitos insucessos decorrem de escopos mal definidos, decisões reativas e ausência de critérios claros de priorização. Nesse cenário, métodos quantitativos de análise de risco passam a influenciar diretamente a estruturação e a governança dos projetos, permitindo traduzir riscos técnicos em impactos financeiros compreensíveis ao negócio. O foco desloca-se do “o que proteger” para o “o que é material proteger”, reforçando decisões orientadas a valor e não apenas à conformidade.

Nos programas de Inteligência Artificial, o gerenciamento de projetos incorpora uma camada adicional de complexidade. Além de desempenho técnico, custo e prazo, entram em pauta temas como ética, governança algorítmica, transparência, explicabilidade, vieses e uso responsável de dados. Projetos de IA exigem ciclos iterativos de validação, interação contínua entre áreas técnicas, jurídicas e de negócio e atenção permanente aos stakeholders. Nesse contexto, ganham espaço abordagens híbridas e adaptativas, e o gerente de projetos assume o papel de articulador sociotécnico, equilibrando inovação, risco e responsabilidade organizacional.

De forma transversal a esses campos, observa-se a incorporação estruturada da agenda ESG ao gerenciamento de projetos. Projetos passam a ser reconhecidos como os principais vetores pelos quais as organizações geram impactos sobre pessoas, planeta e prosperidade ao longo da cadeia de valor. Estratégias de sustentabilidade que não se traduzem em práticas consistentes de gestão de projetos tendem a permanecer no plano do discurso, sem efetiva conexão com a execução.

Nesse sentido, projetos assumem também um papel central na geração de dados para relatórios de sustentabilidade e disclosure corporativo. A avaliação de desempenho passa a incorporar conceitos como materialidade, múltiplos capitais e sustentabilidade baseada em contexto, ampliando o olhar além de ganhos incrementais e incluindo critérios absolutos de impacto e capacidade de suporte dos sistemas sociais e ambientais.

Essa abordagem mostra-se particularmente relevante em projetos de logística, nos quais decisões de escopo, contratação, fornecedores e cronogramas influenciam diretamente emissões, consumo de recursos, condições de trabalho e riscos reputacionais. Experiências práticas indicam que o uso de ferramentas visuais e modelos de co-criação favorece o alinhamento entre stakeholders e a gestão de riscos em ambientes logísticos complexos e sensíveis.

Outra tendência importante é a valorização da gestão do conhecimento em projetos. Em contextos marcados por rápida evolução tecnológica e pressão por inovação, a capacidade de capturar lições aprendidas, transformar conhecimento tácito em explícito e reutilizá-lo em iniciativas futuras torna-se um ativo estratégico. Projetos passam a ser compreendidos como unidades de aprendizagem organizacional, contribuindo para o aumento da maturidade institucional.

Observa-se também uma aplicação crescente do gerenciamento de projetos à educação executiva e à pós-graduação. Disciplinas, módulos e até mesmo aulas passam a ser tratados como projetos, com escopo definido, entregas claras, partes interessadas identificadas e riscos gerenciados. Essa lógica contribui para maior coerência pedagógica, melhor alinhamento de expectativas e funciona, simultaneamente, como exercício prático dos próprios conceitos ensinados.

Assim sendo, as tendências contemporâneas indicam que o gerenciamento de projetos caminha para uma abordagem mais estratégica, integrada e orientada a risco, impacto e valor. ESG, cibersegurança, logística e inteligência artificial deixam de ser temas periféricos e passam a ocupar o centro da tomada de decisão organizacional. Para a formação em nível de mestrado, isso significa tratar projetos não apenas como instrumentos operacionais, mas como ferramentas essenciais de governança, gestão de riscos e criação de valor sustentável em ambientes cada vez mais complexos e incertos.

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