Confira analise de Paulo Cunha, especialista em mercado financeiro e CEO da iHUB Investimentos
Em um cenário de juros ainda elevados e investidores cada vez mais atentos à previsibilidade de fluxo de caixa, as ações pagadoras de dividendos seguem como alternativa estratégica dentro da renda variável. Empresas consolidadas, com geração consistente de caixa e histórico de distribuição de lucros, tendem a ocupar espaço relevante nas carteiras focadas em renda.
Ao analisar o mercado brasileiro, alguns papéis se destacam não apenas pelo dividend yield, mas pela combinação entre solidez operacional, governança e posicionamento setorial. A seguir, apresento uma seleção de dez ações que, na minha avaliação, reúnem características interessantes para quem busca dividendos com visão de médio e longo prazo.
10º – Itaú Unibanco
Banco de grande porte, consolidado e altamente previsível. Apesar de ser um ativo considerado “óbvio” dentro do setor financeiro, segue como uma referência em consistência de resultados e distribuição de proventos.
9º – Petrobras
Mesmo atravessando incertezas relacionadas ao ambiente político, apresenta forte geração de caixa e dividend yield elevado, na casa de dois dígitos em determinados momentos. O risco institucional existe, mas o potencial de distribuição permanece relevante.
8º – B3
Operadora da bolsa brasileira, possui posição praticamente monopolista no mercado local. Apesar da valorização recente das ações e de um yield mais moderado, continua sendo uma empresa estratégica dentro do sistema financeiro.
7º – Santander Brasil
Outro banco consolidado, com atuação robusta no varejo e no crédito. Combina previsibilidade de receitas com distribuição recorrente de dividendos.
6º – Caixa Seguridade
Braço de seguros da Caixa Econômica Federal, apresenta modelo de negócios leve em capital e margens consistentes. O dividend yield costuma ser atrativo, sustentado por boa geração de caixa.
5º – ALLOS
Companhia com perfil semelhante ao de um fundo imobiliário de shopping centers. Receita recorrente, contratos de longo prazo e exposição ao consumo interno compõem o racional de renda.
4º – Vivo
A marca comercial da Telefônica Brasil atua em um setor resiliente, com receitas previsíveis em telecomunicações e internet. Tradicionalmente figura entre as empresas com boa política de dividendos.
3º – Energisa
Empresa sólida do setor elétrico, segmento conhecido pelo caráter defensivo. A previsibilidade regulatória e a estabilidade de receitas favorecem a consistência na remuneração ao acionista.
2º – Vale
Gigante da mineração, combina forte geração de caixa com exposição ao ciclo global de commodities. Além de dividendos relevantes, há espaço para valorização, dependendo do cenário internacional.
1º – Copel
A Copel lidera o ranking por reunir características especialmente interessantes para investidores focados em renda. Inserida no setor elétrico, um dos mais defensivos da Bolsa, a companhia opera com receita previsível e contratos de longo prazo, o que proporciona maior estabilidade mesmo em períodos de volatilidade econômica.
Após a migração para o Novo Mercado, a empresa elevou seus padrões de governança, transparência e liquidez, ampliando o interesse de investidores institucionais. Esse movimento reforça a percepção de qualidade e disciplina na gestão.
Além disso, a Copel apresenta histórico consistente de pagamento de dividendos, com dividend yield atrativo e presença recorrente em carteiras voltadas à geração de renda. Os resultados operacionais vêm demonstrando solidez, com boa geração de caixa e responsabilidade financeira, fatores que sustentam sua capacidade de remunerar o acionista no longo prazo.
A estratégia de dividendos não deve ser baseada apenas no percentual de yield momentâneo, mas na combinação entre qualidade do negócio, governança, previsibilidade de receita e disciplina de capital. Em um portfólio equilibrado, essas características tendem a fazer a diferença ao longo do ciclo econômico.
