Em encontro com jornalistas na sede da companhia, em São Paulo, executivos detalharam nova fase da cooperativa, com portfólio nacional e regional para o mercado corporativo, promessa de não verticalização e maior integração com consultorias e corretoras
A Unimed CNU apresentou, nesta quarta-feira (25), a nova linha de produtos da cooperativa para o mercado corporativo e marcou oficialmente a retomada de sua estratégia comercial após o ciclo de reestruturação da companhia. O lançamento veio acompanhado de uma mensagem central ao mercado: crescer, mas com foco em qualidade, sustentabilidade da carteira e maior proximidade com o canal corretor.
A companhia anunciou um portfólio formado por quatro planos nacionais, Ideal, Efetivo, Completo e Único, além de versões regionais em praças como São Paulo, Brasília e Salvador. Segundo os executivos da empresa, a nova linha foi desenhada para ampliar competitividade, combinando cobertura nacional com acesso a redes regionais de referência.
Diretor de Mercado, Marcelo Couto Luna de Almeida definiu o momento como uma virada de chave. “Estamos iniciando uma nova fase, orientada pelo crescimento sustentável e pela nossa vocação para atender ao segmento empresarial, em linha com o ritmo de expansão do setor”, projetou.
Canal corretor ganha protagonismo na nova fase
Embora a apresentação tenha detalhado produtos, redes e posicionamento comercial, um dos pontos mais relevantes do encontro com jornalistas foi o espaço dado à relação com corretores e consultorias. A mensagem dos executivos foi de que a retomada comercial da Unimed CNU passa, necessariamente, pela ampliação da parceria com esse canal.
Em resposta ao questionamento do Universo do Seguro sobre o que muda, na prática, para os corretores de seguros, o Superintendente Comercial, Rafael Flôres, afirmou que o foco da companhia não é apenas voltar a crescer, mas construir uma entrega mais consistente ao lado do mercado corretor.
Segundo ele, uma das mudanças está em oferecer ao corretor opções mais adequadas ao cenário atual das empresas, que hoje estão mais pressionadas por custos e exigem soluções com melhor equilíbrio entre rede, qualidade e valor. Nesse sentido, Flôres reforçou que a operadora quer evitar um modelo de crescimento apoiado apenas em preço baixo, que pode gerar problemas futuros para clientes e para o próprio corretor.
“A proximidade e a transparência” foram colocadas pelo executivo como pilares dessa retomada. Flôres destacou que o corretor é quem está no dia a dia do cliente, recebe reclamações, acompanha dificuldades e precisa de uma operadora preparada para responder com agilidade e responsabilidade. “A gente quer estar próximo para construir a quatro, seis, oito mãos um modelo diferente de entrega”, disse.
“O corretor também é cliente”, diz executivo
Outro aspecto importante passa pela estratégia de “multidimensionalidade” da carteira, conceito utilizado pela empresa para orientar atendimento e relacionamento. Na visão da diretoria, a Unimed CNU não enxerga apenas o beneficiário como cliente final. O RH da empresa contratante, o corretor e até o médico, que influencia a jornada assistencial, também entram nessa equação.
Diretor Executivo da Unimed CNU, Gustavo Vilela foi direto ao afirmar que “o corretor também é um cliente”. A declaração foi acompanhada de uma sinalização prática de mudanças em curso, com reforço de canais exclusivos, melhoria de comunicação, treinamento e ampliação do acesso a informações para corretoras e consultorias.
A leitura da companhia é que, no segmento de grandes contas, o corretor tem papel que vai muito além da intermediação comercial. Ele participa da estratégia de comunicação com a empresa, ajuda na leitura de demandas da carteira e contribui para discussões sobre uso, custo e qualidade assistencial. Por isso, segundo os executivos, a proposta é dar mais estrutura para que esse canal atue com amplitude.
Durante o encontro, Vilela citou que já existem corretoras operando com acessos específicos e até integrações para acompanhamento de processos. A empresa também falou em ampliação de equipes dedicadas, com atendimento segmentado e foco em qualidade da resposta.
Foco em grandes contas e recorte empresarial
A coletiva também deixou claro que a nova fase comercial da cooperativa não será baseada, neste momento, na disputa pelo segmento de entrada do mercado.
A empresa reiterou que seu foco está no mercado corporativo, com classificação a partir de 30 vidas e preferência por contratos acima de 100 vidas, mantendo o posicionamento histórico em grandes contas nacionais. Na apresentação, a direção destacou que a cooperativa tem perfil de carteira bastante concentrado em contratos robustos e atua como integradora para empresas com operação em múltiplas regiões.
Esse recorte também ajuda a explicar o protagonismo dado ao canal corretor. Nas contas corporativas, especialmente nas maiores, consultorias e corretoras costumam ter papel estratégico na construção, renovação e gestão dos contratos, e a Unimed CNU quer justamente reforçar essa engrenagem.
Nova linha de produtos amplia oferta nacional e regional
No lançamento, a companhia detalhou a nova linha com quatro planos nacionais, Ideal, Efetivo, Completo e Único, com versões adaptadas para São Paulo, Brasília e Salvador. O objetivo, segundo a empresa, é combinar a força da cobertura nacional com redes regionais estruturadas de acordo com a realidade de cada praça.
De acordo com a companhia, os produtos contemplam cobertura nacional para urgências e emergências, além de serviços como telemedicina 24 horas, coleta domiciliar de exames e atendimento digital. O plano Único Nacional foi posicionado como opção premium, com coberturas além do rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), retaguarda do Hospital Albert Einstein e seguro viagem internacional, entre outros diferenciais.
A direção também destacou que o desenho dos novos produtos pode ampliar o leque de soluções das operadoras do Sistema Unimed, permitindo a oferta de produtos nacionais e da linha premium da Unimed CNU em diferentes contextos comerciais.
Recado ao mercado sobre verticalização
Um dos recados mais enfatizados no encontro foi a decisão de não verticalizar a operação como estratégia de competição em segmentos de menor tíquete. Os executivos da companhia afirmaram que esse posicionamento está ligado ao tipo de atendimento que a cooperativa pretende oferecer e ao perfil de cliente que busca atender nesta nova etapa.
Ao comentar o tema, Gustavo Vilela ressaltou que a proposta é trabalhar com uma linha de produtos não verticalizada, apoiada em rede credenciada e em uma lógica de qualidade assistencial. A mensagem foi apresentada também como sinal ao mercado e aos corretores, no sentido de que a companhia quer crescer sem abrir mão da consistência na entrega.
O executivo reforçou esse ponto ao destacar a capilaridade do Sistema Unimed. “Somos a única operadora de planos de saúde que oferta uma cobertura efetivamente nacional e não verticalizada, em razão da presença do Sistema Unimed em 92% dos municípios brasileiros”, mencionou. Ele também citou a rede com mais de 29 mil serviços credenciados e 175 hospitais próprios.
Reestruturação, confiança e retomada comercial
Além do lançamento dos produtos, a empresa demonstrou atualizações sobre a reorganização da cooperativa. Os executivos relataram melhora operacional e financeira, além de avanços na governança, e indicaram que os números do período serão apresentados formalmente após a assembleia da cooperativa – que acontecerá em março.
Marcelo Couto Luna de Almeida mencionou os resultados positivos da operação, a melhora de percepção junto à rede prestadora e uma fase de maior estabilidade, após um período de forte pressão. O tom foi de reconstrução com responsabilidade, evitando movimentos mais agressivos antes da consolidação dessa nova etapa.
Esse contexto apareceu diversas vezes nas respostas sobre corretores. A empresa procurou associar a retomada da relação com o canal a uma postura mais transparente, com passos graduais e foco em execução. A mensagem foi de que a Unimed CNU quer se reposicionar no mercado corporativo com produto, atendimento e relacionamento mais consistentes, em vez de buscar crescimento a qualquer custo.
Tecnologia e dados entram na agenda do canal
A Unimed CNU também foi questionada sobre uso de dados, tecnologia e evolução dos canais de atendimento, especialmente no apoio a corretores e consultorias. Gustavo Vilela aproveitou para enfatizar que a companhia já possui uma base de dados robusta e que está investindo em melhorias para ampliar inteligência de uso, segmentação de informações e experiência digital.
Entre as frentes citadas, estão avanços em canais de acesso a dados para determinados perfis de corretores, integrações com APIs em alguns casos e melhorias em aplicativos e jornadas digitais. Vilela também mencionou iniciativas com inteligência artificial em seu plano de investimentos, dentro de uma agenda de modernização que envolve tanto a experiência do cliente final quanto o suporte ao canal corretor.
O que o mercado deve acompanhar
O encontro desta quarta-feira mostrou que a Unimed CNU quer reforçar sua marca na disputa por crescimento no segmento corporativo, mas com um discurso centrado em qualidade de atendimento, organização interna e relacionamento mais próximo com consultorias e corretoras.
Para o corretor, o principal sinal é que a companhia tenta reposicionar esse canal como parceiro estratégico da gestão da carteira, e não apenas da venda. A promessa de mais proximidade, dados, segmentação de atendimento e construção conjunta de soluções foi um dos destaques da manhã na sede da cooperativa, em São Paulo.
