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Vacina contra melanoma avança e diminui quase 50% o risco de óbito ou recidiva do tumor cinco anos após o tratamento

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Photo by Diana Polekhina on Unsplash

Embora represente apenas cerca de 3% dos tumores malignos de pele no Brasil, subtipo é o mais agressivo da doença; Atualmente, o imunizante está na fase 3 de testes

O desenvolvimento de uma vacina terapêutica contra o melanoma, tipo mais agressivo de câncer de pele, tem reforçado uma mudança de paradigma no tratamento oncológico. Novos dados de acompanhamento de longo prazo indicam que a combinação de uma vacina personalizada de RNA mensageiro com imunoterapia reduziu em 49% o risco de morte ou de recorrência da doença cinco anos após o tratamento.

Os resultados se referem à vacina intismeran autogene, desenvolvida pelas farmacêuticas Moderna e MSD, avaliada em associação ao anticorpo monoclonal pembrolizumabe, comercializado como Keytruda. O estudo comparou a combinação com o uso isolado da imunoterapia em 157 pacientes que haviam passado por cirurgia para retirada do melanoma.

Trata-se da vacina oncológica mais avançada em testes clínicos até o momento. Nos Estados Unidos, os dados positivos já garantiram à terapia o status de “terapia inovadora” concedido pela Food and Drug Administration (FDA). Atualmente, o imunizante está na fase 3 de estudos (a última antes de um eventual pedido de aprovação), iniciada em 2023 e com conclusão prevista para 2030.

O acompanhamento de cinco anos confirma os achados anteriores, divulgados após três anos, que já apontavam redução de 49% no risco de morte ou retorno do tumor e de 62% no risco de morte ou desenvolvimento de metástases. Para a Moderna, os dados reforçam o potencial de benefício prolongado da estratégia em pacientes com melanoma de alto risco já ressecado.

Como funciona a vacina

Diferentemente das vacinas tradicionais, voltadas à prevenção de doenças infecciosas, a vacina contra o melanoma tem caráter terapêutico. Ela utiliza a tecnologia de RNA mensageiro (mRNA), a mesma empregada nos imunizantes contra a Covid-19, mas com uma lógica distinta: estimular o sistema imunológico a reconhecer e combater um tumor já existente.

A ideia de uma vacina contra o câncer pode evocar a imagem de uma solução preventiva, semelhante aos imunizantes amplamente utilizados para combater doenças infecciosas. Porém, no campo da oncologia, o conceito está sendo redefinido por uma nova geração de tratamentos altamente personalizados, que vêm ganhando destaque nas principais publicações científicas do mundo.

“ Esse tipo de vacina oferece ao corpo humano uma maior capacidade de reconhecer e combater tumores específicos, representando uma nova era nos tratamentos oncológicos”, explica Breno Jeha Araújo, oncologista especializado em genômica clínica da Oncoclínicas.

O diferencial está na personalização. A vacina é produzida a partir da análise genômica do tumor de cada paciente. A partir de proteínas específicas do câncer, cria-se uma formulação individual que “ensina” o sistema imune a identificar o material genético tumoral e a reagir contra ele, algo que muitas vezes não ocorre espontaneamente, já que células cancerígenas podem escapar da vigilância imunológica.

Segundo Araújo, a pandemia acelerou esse caminho. “A tecnologia de mRNA já demonstrou seu potencial no combate à Covid-19 e agora desponta como uma ferramenta promissora na oncologia”, ressalta o especialista. “Este avanço é um marco que pode transformar a forma como tratamos o câncer, permitindo a criação de terapias individualizadas baseadas no perfil genômico das células tumorais de cada paciente”.

Melanoma: raro, mas altamente agressivo

Embora represente apenas cerca de 3% dos tumores malignos de pele no Brasil, o melanoma é o subtipo mais agressivo da doença. De acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer de pele ultrapassa 185 mil novos casos por ano no país, e o melanoma se destaca pela alta capacidade de gerar metástases se não for diagnosticado precocemente.

Segundo Sheila Ferreira, oncologista da Oncoclínicas, a atenção deve ser redobrada. “A pinta ou sinal possui tons acastanhados e, apesar de aparecer com mais frequência nas áreas expostas ao Sol, pode surgir em qualquer parte do corpo, inclusive nas mucosas. Na pele negra, por exemplo, elas podem aparecer comumente nas palmas das mãos e plantas dos pés”, explica.

A origem do melanoma está nos melanócitos, células responsáveis pela produção de melanina. A exposição prolongada à radiação ultravioleta, seja solar ou por câmaras de bronzeamento artificial, pode desencadear alterações que levam à proliferação descontrolada dessas células. No Brasil, vale lembrar, as câmaras de bronzeamento são proibidas desde 2009 pela Anvisa.

Mesmo com os avanços no tratamento, a prevenção continua sendo uma das principais estratégias contra o melanoma. Evitar exposição solar entre 10h e 16h, usar protetor solar com FPS mínimo de 30, reaplicar o produto ao longo do dia e adotar barreiras físicas, como roupas com proteção UV, chapéus e óculos, são medidas fundamentais.

A identificação precoce também faz diferença no prognóstico. “Através da identificação antecipada, a chance de cura pode chegar a 90%”, explica Sheila Ferreira. Para isso, médicos recomendam atenção aos critérios conhecidos como ABCDE: assimetria, bordas irregulares, cor variável, diâmetro maior que 6 mm e evolução da lesão ao longo do tempo.

Embora a maioria dos casos seja diagnosticada em estágios iniciais, quando a cirurgia costuma ser suficiente, formas mais avançadas podem exigir tratamentos complementares, como imunoterapia e terapia-alvo, contexto em que vacinas terapêuticas personalizadas passam a ganhar protagonismo.

A expectativa de pesquisadores e especialistas é que, com a conclusão dos estudos em andamento, esse tipo de vacina possa ser incorporado à prática clínica até o fim da década, ampliando as possibilidades de controle da doença e reduzindo o risco de recidiva em pacientes com melanoma de alto risco.

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