Evento em São Paulo reforça papel do mercado de seguros frente aos impactos das mudanças climáticas e ao gap de proteção securitária no país
Na última quinta-feira, 3 de abril, a Zurich no Brasil promoveu, no Hotel Palácio Tangará, em São Paulo, o evento “Improve – Juntos pela Resiliência Climática”. A iniciativa reuniu representantes do governo, entidades reguladoras, especialistas em sustentabilidade e executivos do setor para debater os desafios e as estratégias de gestão de risco diante da intensificação das mudanças climáticas no Brasil e no mundo.
Durante o encontro, Edson Franco, CEO da Zurich no Brasil, destacou que o gap de proteção securitária no país ainda é um dos principais entraves à resiliência social e econômica, especialmente em contextos de eventos extremos. “Temos uma grande população excluída, o que reflete tanto o nível de desigualdade social como também um elevado desconhecimento sobre as coberturas e produtos de seguros existentes. Quando as pessoas entendem os tipos de seguros disponíveis, o interesse de contratação cresce muito”, afirmou.
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Franco ressaltou que o mercado segurador tem um papel crucial nesse cenário, não apenas como agente reparador, mas principalmente como instrumento de prevenção e estímulo à adaptação climática. “Existe um grande desafio, mas também uma grande oportunidade. O seguro pode ser um catalisador para a transformação”, completou.
Colaboração como chave para o avanço
José Bailone, Head of Commercial Insurance and P&C Chief Underwriting Officer da Zurich no Brasil, reforçou a importância da atuação colaborativa entre os diferentes atores da sociedade. “Temos uma prioridade muito forte na busca de soluções para melhorar a resiliência climática. Não vamos atingir esse objetivo sozinhos. Precisamos colocar todos juntos – empresas, governo, clientes e entidades – para consolidar as ações e acelerar a mudança que tanto necessitamos”, destacou.
Segundo Bailone, a Zurich já desenvolve há anos modelos preditivos, análises de dados e ferramentas de gestão de risco voltadas à sustentabilidade. Um dos exemplos é o Zurich Brazilian Solutions, que apoia projetos ligados à transição energética e ao desenvolvimento sustentável, incluindo seguros para energia renovável e veículos híbridos e elétricos.
Governança multinível e iniciativas públicas
Entre os destaques do evento esteve a apresentação dos objetivos do programa Adapta Cidades, voltado à construção de resiliência nos municípios brasileiros por meio da articulação entre governo federal, estados e prefeituras. O uso de tecnologias, como imagens de satélite e modelos climáticos avançados, foi apontado como fundamental para o mapeamento de vulnerabilidades e a priorização de territórios mais expostos aos desastres naturais.
O evento contou ainda com a participação de Lincoln Muniz Alves, do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, que reforçou o senso de urgência da agenda ambiental, e de representantes da Superintendência de Seguros Privados (Susep), Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Federação Nacional das Empresas de Resseguros (Fenaber) e do setor privado.
Números alarmantes e respostas do setor
De acordo com dados compartilhados no evento, o Brasil sofreu com mais de 250 desastres climáticos somente em 2024, com destaque para as enchentes no Sul, que já geraram indenizações superiores a R$ 6 bilhões. Em resposta, a Zurich também tem investido em ações ambientais diretas, como o apoio ao Projeto Terra, que reflorestou uma fazenda devastada ao longo de 25 anos e hoje protege mais de 2 mil hectares de Mata Atlântica.
Além disso, cerca de 50% das oficinas parceiras da companhia já possuem o selo verde do IQA, certificando boas práticas ambientais em mais de 80 critérios avaliados.
O papel do seguro em um futuro incerto
Com a crescente imprevisibilidade climática, a atuação do setor de seguros se torna ainda mais estratégica. Como lembrou Edson Franco, o desafio é duplo: garantir proteção financeira diante dos eventos extremos, mas também fomentar ações que reduzam os riscos e aumentem a resiliência da sociedade como um todo.
“A crise climática não vai parar. Este é só o começo. E o setor segurador precisa ser protagonista dessa transformação”, concluiu Franco.