BMG: setor de seguros necessita avançar em infraestrutura

BMG: setor de seguros necessita avançar em infraestrutura / Foto: Pixabay
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Jorge Sant’Anna mediou painel com representantes do BNDES, do IFC, do New Development Bank e do BID Invest durante o ABDIB Experience Edição 2022

O mercado de seguros pode exercer um papel importante no financiamento de obras de infraestruturas necessárias para o desenvolvimento do país, por meio de gerenciamento de risco e redução de custos de capital. Apesar dos recentes avanços na regulação, entretanto, o setor precisa de coordenação e proatividade para avançar na área de infraestrutura.

Para Jorge Sant’Anna, CEO da BMG Seguros, o mercado evoluiu muito e uma nova regra acaba de dar mais flexibilidade para o seguro garantia. Outro evento importante é o interesse, que não havia no passado, das resseguradoras internacionais em participar desse processo de garantias no setor de infraestrutura brasileira.

“Estamos presos a um passado e muita coisa evoluiu de lá para cá e a culpa é praticamente da própria indústria de seguros, que não se coloca como uma solução viável”, disse o executivo, ao mediar o painel “Financiamento, Riscos e Garantias”, na quarta-feira (30/11), no ABDIB Experience Edição 2022, promovido pela Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB). “É menos falta de apetite e mais falta de proatividade e coordenação do mercado de seguros”, completou.

Arian Bechara Ferreira, Superintendente da área de Saneamento, Transporte e Logística do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), destacou que a pauta de seguros tem de ser colocada à mesa para que o volume de investimentos em infraestrutura continue crescendo: “não existem bolsos suficientes para colocar isso em pé”. Para ele, ainda há uma falta de vontade de tomar riscos, mas hoje é possível visualizar uma matriz de risco mais equilibrada nos projetos. “E o bolso no mercado segurador é grande e vai ser necessário, se a gente quiser continuar ver crescendo esse volume de investimento. Não tenho a menor dúvida de que isso não vai ficar apenas na mão do BNDES, mercado de capitais, multilaterais. O mercado segurador vai ter de querer fazer parte desse jogo, e o BNDES está aqui para ser âncora nessa discussão”, acrescentou.

Carlos Pinto, Country Manager Brazil do International Finance Corporation (IFC), reforçou que o project finance é um caminho correto para atrair muita banca internacional. Segundo ele, no entanto, há um período intermediário, o período da construção, para o qual será preciso encontrar um produto de transição. Isso porque os investidores internacionais não querem tomar riscos de construção, como, por exemplo, o custo e mais tempo de execução. “Os riscos não previstos se concentram no risco da construção, mas há soluções que passam também por seguros, e por alguns institucionais, que podem ser garantias adicionais, com financiamento intercalar que será substituído por uma debênture ou um project finance. E nesse caminho de amadurecimento que o Brasil está andando”, disse.

Cláudia Prates, Diretora do New Development Bank, avaliou que não serão os organismos multilaterais sozinhos que darão conta de tantos investimentos e, nesse sentido, a divisão de riscos é importante. “Talvez seja hora de o mercado segurador entrar nesse mercado melhor estruturado, nesses projetos com matriz de risco melhor dividido, e os multilaterais com capacidade de, em reais, entrarem com uma parte em dez anos e o BNDES cobrir o final”, sugeriu.

Para Silvana Bianco del Barrio, Oficial de Gestão de Investimentos do BID Invest, a implementação de produtos é válida uma vez que, nas debêntures de infraestrutura, esses investidores não tomam risco de construção. “Esse tipo de risco tem de ser mitigado, ele está sendo mitigado com garantias bancárias e, na verdade, não vai ter garantia bancária e completion guarantee para tudo. O volume é muito grande, mesmo que a gente tenha cinco bancos brasileiros que são enormes. Esses bancos também estão sendo chamados a ficar com o papel, a comprar um pedaço da emissão, então eles não vão dar garantia e comprar um pedaço da emissão. O mercado está ficando grande, o volume de bancos também está se reduzindo no Brasil. A gente via no mercado internacional alguns bancos que faziam emissão de completion guarantee. Então a presença de seguros para o mercado de capitais é supervaliosa”, disse.

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