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Câncer colorretal cresce entre jovens, desafia hábitos modernos e exige atenção precoce

Dr. Antônio Dias, Croma Oncologia e Dr Matheus Baptista, Croma Oncologia/ Foto: Divulgação
Dr. Antônio Dias, Croma Oncologia e Dr Matheus Baptista, Croma Oncologia/ Foto: Divulgação

Confira artigo de Dr. Antônio Dias e Dr. Matheus Baptista

O câncer colorretal é um inimigo silencioso e subestimado da saúde brasileira — fácil de prevenir, mas ainda entre os mais letais do país. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), em 2025 foram registrados 26.260 novos casos entre homens, equivalentes a 10,3% de todos os diagnósticos oncológicos, atrás apenas do câncer de próstata. Entre as mulheres, foram 27.540 casos, cerca de 10,5% do total, ficando atrás apenas do câncer de mama. Considerando homens e mulheres juntos, é a segunda maior causa de morte por câncer, perdendo apenas para o pulmão. Esses números, cruéis, reforçam uma pergunta que não podemos mais ignorar: por que continuamos banalizando sinais que poderiam salvar vidas?

O grande desafio é que os sintomas iniciais são silenciosos e facilmente confundidos com desconfortos do dia a dia. Prisão de ventre, diarreia ou gases podem parecer banais, mas quando se tornam frequentes e surgem associados a sangue nas fezes, dor abdominal recorrente, fezes mais finas, sensação de evacuação incompleta, anemia inexplicável ou perda de peso involuntária, é hora de buscar avaliação médica. Nem todo sintoma indica câncer, mas a persistência desses sinais é um alerta que não deve ser ignorado.

O câncer colorretal apresenta crescimento preocupante entre pessoas abaixo dos 50 anos, impulsionado por fatores associados ao estilo de vida moderno, como excesso de alimentos ultraprocessados, baixo consumo de fibras, sedentarismo, obesidade, álcool e tabagismo. Diante dessa mudança no perfil epidemiológico, instituições de referência no mundo, como a American Cancer Society, passaram a recomendar que pessoas com risco médio iniciem o rastreamento com colonoscopia aos 45 anos. Para quem tem histórico familiar de câncer colorretal, a orientação é começar aos 40 ou dez anos antes da idade em que o parente foi diagnosticado, prevalecendo o que ocorrer primeiro. Esses dados reforçam a necessidade de atenção aos sinais, mesmo na juventude, e o valor de estratégias de prevenção ajustadas à realidade atual.

O rastreamento é simples, mas extremamente eficaz. A colonoscopia não apenas identifica lesões precoces, mas também permite remover pólipos antes que evoluam para câncer, oferecendo uma prevenção ativa e eficaz. O preparo intestinal pode causar algum desconforto, mas esse esforço é pequeno diante do potencial do exame para salvar vidas. Pessoas com histórico familiar ou achados suspeitos devem repetir o procedimento com a frequência indicada pelo médico, garantindo acompanhamento contínuo e seguro.

Quando o câncer colorretal é detectado precocemente, as chances de cura aumentam significativamente, pois o tumor ainda está em estágio inicial e as intervenções podem ser mais eficazes. O tratamento começa, geralmente, com a cirurgia — chamada colectomia com linfadenectomia — que remove o tumor junto aos gânglios linfáticos próximos, impedindo a disseminação da doença. Dependendo do estágio do câncer, pode ser indicada a quimioterapia adjuvante, com duração de três a seis meses, para reduzir o risco de recorrência. Em situações específicas, mesmo pacientes com metástases podem alcançar a cura por meio de ressecção cirúrgica das lesões ou de técnicas ablativas, que tratam tumores localizados sem comprometer órgãos saudáveis. Nos últimos anos, avanços terapêuticos ampliaram a sobrevida e a qualidade de vida. Além da cirurgia, opções como imunoterapia, terapias-alvo, radioterapia e técnicas ablativas para metástases hepáticas oferecem tratamentos mais personalizados e eficazes, mesmo em estágios avançados.

A prevenção, no entanto, segue como a estratégia mais consistente contra o câncer colorretal. A prática regular de atividade física, uma alimentação baseada em frutas, vegetais e fibras, a redução do consumo de carnes vermelhas e embutidos, a moderação no álcool, o controle do peso e a cessação do tabagismo formam um conjunto decisivo de proteção. Em alguns casos, a suplementação de vitamina D e o consumo de nozes podem atuar como aliados adicionais, sempre com orientação médica.

O Março Azul Marinho funciona como um alerta necessário. O câncer colorretal costuma evoluir de forma silenciosa e, muitas vezes, só se manifesta quando já está em estágio avançado. Postergar exames, minimizar sintomas ou negligenciar hábitos saudáveis aumenta riscos que hoje são evitáveis. Atenção aos sinais do corpo, informação de qualidade e diagnóstico precoce não são apenas recomendações médicas, mas atitudes concretas que podem reduzir a mortalidade e mudar trajetórias de vida.

*Dr. Antônio Dias é oncologista especialista em tumores do trato gastrointestinal, e o Dr. Matheus Baptista é oncologista. Ambos integram a equipe da Croma Oncologia, rede de saúde especializada que adota um modelo inovador de gestão da jornada oncológica.

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