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Casos de ‘divórcio cinza’ aumentam no Brasil e divisão de bens se torna uma preocupação

Amanda Helito, advogada, sócia e co-fundadora do PHR Advogados, especializada em Direito de Família; Patricia Valle Razuk, especialista em Direito de Família, além de especialista em Mediação e Gestão de Conflitos pela Harvard Law School / Foto: Renato Ramalho / M2 Comunicação / Divulgação
Amanda Helito, advogada, sócia e co-fundadora do PHR Advogados, especializada em Direito de Família; Patricia Valle Razuk, especialista em Direito de Família, além de especialista em Mediação e Gestão de Conflitos pela Harvard Law School / Foto: Renato Ramalho / M2 Comunicação / Divulgação

De acordo com dados do IBGE, cerca de 30% dos que se divorciam no Brasil estão na faixa dos 50 anos

O número de divórcios entre pessoas acima dos 50 anos tem aumentado significativamente nos últimos anos, fenômeno conhecido como gray divorce – ou divórcio cinza. Conforme estatísticas do Registro Civil do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 30% dos divórcios registrados no Brasil ocorrem entre pessoas que correspondem a essa faixa etária.

De acordo com especialistas, esse crescimento está relacionado a mudanças sociais, maior independência financeira das mulheres e novos modelos de relacionamento. No Brasil, esse cenário também se reflete nos cartórios e tribunais, com um número crescente de casais que, após décadas de união, decidem seguir caminhos separados.

De acordo com a sócia e co-fundadora do PHR Advogados e especialista em Direito de Família e Sucessões, Amanda Helito, o divórcio na terceira idade traz desafios particulares, especialmente no aspecto financeiro. “Diferente de casais mais jovens, que ainda têm tempo para reconstruir suas finanças e carreiras, aqueles que se divorciam após os 50 ou 60 anos podem enfrentar dificuldades para manter o padrão de vida. Questões como divisão de bens, pensão e previdência se tornam ainda mais relevantes nesse contexto”, explica.

Além do impacto financeiro, há também um componente emocional significativo. Muitos casais enfrentam sentimentos de solidão, recomeço e até mesmo pressões familiares. “O estigma em torno do divórcio tardio está diminuindo, mas ainda há uma forte carga emocional envolvida. O apoio psicológico e familiar pode ser essencial para que essa transição ocorra de forma mais saudável”, acrescenta Patricia Valle Razuk, sócia e co-fundadora do PHR Advogados e especialista em Direito de Família e Mediação de Conflitos.

Outro ponto fundamental é o planejamento patrimonial, na visão de Patricia. Torna-se cada vez mais primordial que casais que estejam considerando a separação revisem seus testamentos, seguros de vida e planos de aposentadoria. “Muitas vezes, o cônjuge estava inserido no planejamento financeiro do outro, e a separação pode exigir ajustes imediatos para evitar prejuízos a longo prazo”, alerta a especialista.

Já Amanda aponta que o avanço da tecnologia e a possibilidade de novos relacionamentos também têm impulsionado essa tendência. “Aplicativos de relacionamento, redes sociais e novas perspectivas sobre a vida amorosa após os 50 anos encorajam muitas pessoas a buscarem uma nova fase, sem medo do julgamento social. O divórcio, antes visto como um fracasso, hoje é encarado como uma chance de recomeço”.

Diante desse cenário, a recomendação é a de que quem está considerando o divórcio na terceira idade busque orientação jurídica e financeira adequada. “O mais importante é garantir que a separação ocorra de forma justa e equilibrada, preservando os direitos e a dignidade de ambos os envolvidos. Com planejamento e apoio, é possível encarar essa fase como um novo começo e não como um fim”, conclui Patricia.

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