Confrontação geoeconômica lidera alerta global e desinformação avança entre os maiores riscos, aponta relatório de 2026

Confrontação geoeconômica lidera alerta global e desinformação avança entre os maiores riscos, aponta relatório de 2026 / Foto: Edge2Edge Media / Unsplash Confrontação geoeconômica lidera alerta global e desinformação avança entre os maiores riscos, aponta relatório de 2026 / Foto: Edge2Edge Media / Unsplash
Foto: Edge2Edge Media / Unsplash

Levantamento do Fórum Econômico Mundial mostra deterioração do ambiente global no curto prazo, pressão crescente sobre empresas e governos e avanço de ameaças tecnológicas e ambientais no horizonte de uma década

A confrontação geoeconômica entrou em 2026 como o principal gatilho potencial de uma crise global, em um cenário marcado por fragmentação internacional, aumento do protecionismo, avanço da desinformação e perda de confiança nas estruturas multilaterais. A leitura está no novo Relatório de Riscos Globais, do Fórum Econômico Mundial, que também aponta conflitos entre Estados, polarização social e eventos climáticos extremos entre as ameaças mais relevantes do ambiente imediato.

No horizonte de dois anos, a desinformação ganha ainda mais peso e aparece ao lado da polarização social entre os riscos que mais sobem na percepção dos especialistas. Já no recorte de longo prazo, o quadro muda de eixo: os riscos ambientais e tecnológicos passam a dominar a agenda, com eventos climáticos extremos no topo e avanço da preocupação com os efeitos adversos da inteligência artificial e da computação quântica sobre emprego, infraestrutura, geopolítica e confiança digital.

O estudo, em sua 21ª edição, reuniu opiniões de 1.300 especialistas e 11 mil líderes empresariais para medir como os principais riscos vêm sendo percebidos no curto, médio e longo prazo. Segundo o material de divulgação, o sentimento predominante é de deterioração: no horizonte de dez anos, 57% dos entrevistados projetam um cenário turbulento ou tempestuoso, em um ambiente descrito como cada vez mais competitivo, fragmentado e instável.

Segfy
Publicidade

A preocupação não se restringe a choques geopolíticos. O relatório chama atenção para a negligência com a infraestrutura crítica, tratada como um ponto vulnerável em um mundo mais dependente de redes elétricas, satélites, cabos submarinos e sistemas digitais. Para Peter Giger, diretor de Riscos do Grupo Zurich, há uma contradição entre a gravidade do problema e a atenção que ele recebe no debate global. “Essa lacuna é extremamente preocupante. De redes elétricas sobrecarregadas pelo calor recorde a cidades costeiras ameaçadas pelo aumento do nível do mar, dependemos de sistemas pouco preparados e subfinanciados. Quando a infraestrutura falha, todo o sistema fica vulnerável”, observou.

Na avaliação de Andrew George, presidente de Specialty na Marsh Risk, o agravamento das divisões políticas, sociais e econômicas amplia o risco de instabilidade. “As divisões cada vez mais profundas estão no centro dos riscos sociais que enfrentamos atualmente”, afirmou. No mesmo material, ele acrescenta que os avanços em IA e computação quântica estão “remodelando rapidamente mercados de trabalho e a geopolítica”, o que exigirá ação coordenada de empresas e governos para lidar com concentração econômica, redundância de funções e possíveis interrupções sistêmicas.

O recorte latino-americano também aparece como ponto de atenção. Para Gerardo Herrera Perdomo, diretor da Marsh Advisory para a América Latina e Caribe, a região terá de construir respostas próprias em meio ao acirramento das tensões geoeconômicas e ao enfraquecimento da cooperação internacional. Segundo ele, o desafio passa por combinar crescimento inclusivo, redução das desigualdades estruturais, reforço da resiliência climática e aceleração tecnológica, sem transformar esses avanços em novos focos de fragmentação econômica e polarização política.

No Brasil, o debate sobre risco global também toca temas bastante concretos. José Bailone, diretor executivo de Seguros Corporativos da Zurich no país, avalia que infraestrutura crítica, acesso a serviços essenciais e bem-estar social devem ganhar mais centralidade na gestão de risco, por influenciarem diretamente a capacidade de reação da sociedade e das empresas diante de choques econômicos, climáticos ou tecnológicos. Na visão dele, investir em resiliência estrutural e social deixou de ser apenas uma agenda de longo prazo e passou a ser uma necessidade estratégica.

O relatório reforça, assim, uma mensagem que vem ganhando força entre lideranças globais: os riscos deixaram de atuar de forma isolada. Geopolítica, clima, tecnologia, economia e tensões sociais estão cada vez mais conectados, elevando o potencial de crises em cadeia. Para empresas, seguradoras, governos e investidores, a principal mudança não está apenas no aumento da severidade das ameaças, mas na velocidade com que elas podem se combinar e transbordar entre setores e fronteiras.

Divulgação
Divulgação

Inscreva-se para receber as notícias do mercado!

Ao clicar no botão Assinar, você confirma que leu e concorda com nossa Política de Privacidade e nossos Termos de Uso.
Europ Assistance Brasil
Publicidade