Sócia da PwC líder da indústria de seguros, Maria José De Mula Cury ressalta a importância da preparação para os desafios que se apresentam
Os efeitos climáticos têm se tornado uma preocupação crescente no setor de seguros, exigindo adaptações e novas estratégias para mitigar os riscos associados. Maria José De Mula Cury, Sócia da PwC líder da indústria de seguros, compartilhou suas percepções e conhecimentos sobre o tema, destacando a importância da conscientização e preparação para os desafios que se apresentam.
Mudanças climáticas e impactos no mercado de seguros
Segundo Maria José, a percepção dos brasileiros em relação às mudanças climáticas tem evoluído, refletindo uma maior conscientização sobre os impactos desses fenômenos. “Ainda existe a percepção de que o Brasil não enfrenta catástrofes naturais. Esta falsa percepção está relacionada ao fato de não ter histórico de eventos como terremotos, furacões e outros eventos extremos que vemos em filmes e notícias internacionais”, explicou. No entanto, ao analisar os últimos 10 anos, eventos como os rompimentos das barragens de Mariana e Brumadinho, o ciclone bomba no Rio Grande do Sul, e as enchentes recentes no mesmo Estado, mostram a vulnerabilidade do país a eventos climáticos severos.
Essa crescente conscientização tem impulsionado a demanda por seguros que cobrem tais riscos, refletindo uma mudança significativa na percepção e comportamento dos consumidores. A evolução dessa percepção pode influenciar positivamente o mercado de seguros, aumentando a contratação de apólices que cobrem eventos climáticos extremos.
Desafios enfrentados pelo setor de seguros
O setor de seguros enfrenta diversos desafios relacionados às mudanças climáticas. Entre os principais estão o aumento da frequência e severidade dos eventos climáticos extremos, a necessidade de desenvolver novos produtos e atender a novas regulamentações, e a educação dos consumidores sobre a importância de se proteger contra esses riscos. “Eventos como tempestades, secas, inundações e incêndios florestais têm ocorrido em intervalos de tempo menores e com maiores impactos econômicos e sociais”, destacou Maria José.
Além disso, a desigualdade no acesso ao seguro, especialmente em áreas vulneráveis, é um problema significativo. “A cobertura de seguros pode ser limitada ou economicamente inacessível em regiões frequentemente afetadas por desastres naturais”, disse ela. Por isso, investir em novas tecnologias e profissionais especializados é essencial para enfrentar esses desafios de forma eficaz.
Preparação para eventos climáticos extremos
Para se preparar melhor para eventos climáticos extremos, como enchentes e tempestades, as seguradoras devem investir em processos e controles para identificar, avaliar e classificar a exposição a esses riscos. “O mercado deve considerar o investimento significativo na implementação de processos e controles para identificação, avaliação, quantificação e classificação da exposição a riscos relacionados a eventos extremos”, aconselhou Maria José. Isso inclui a capacitação de profissionais, aquisição de ferramentas de modelagem e a captura de dados confiáveis para projeção.
Além disso, desenvolver metodologias robustas para a projeção de impactos financeiros e gestão de riscos climáticos se apresenta como uma medida fundamental. “Os modelos comumente utilizados em mercados mais maduros consideram previsões de mudanças na temperatura e a correlação histórica entre o aumento de temperatura e a frequência e severidade de eventos climáticos”, complementou.
Estratégias para mitigação de riscos
As seguradoras podem adotar várias estratégias para mitigar os riscos associados às mudanças climáticas, na visão da especialista. “A estratégia mais eficaz deve estar embasada na gestão tempestiva de riscos de sustentabilidade”, afirmou Maria José. Isso inclui políticas internas de subscrição, investimentos e sustentabilidade, além do desenvolvimento de modelos de risco sofisticados e o uso de dados climáticos avançados.
Contribuição da PwC para o setor de seguros
A PwC tem desempenhado um papel crucial no apoio às seguradoras no desenvolvimento de políticas e produtos que respondam às preocupações climáticas. “Já auxiliamos nossos clientes na implementação da Circular da Superintendência de Seguros Privados (Susep) n°666/2022, que estabelece critérios de sustentabilidade a serem observados pelas entidades reguladas”, contou Maria José. Isso inclui o desenvolvimento de políticas de sustentabilidade, a criação de matrizes de materialidade para riscos de sustentabilidade, e o apoio na elaboração de relatórios de sustentabilidade.
A equipe do Actuarial & Risk Modelling Services da PwC Brasil, em parceria com a rede global da PwC, tem trabalhado no desenvolvimento de ferramentas para quantificar o impacto de eventos climáticos em ativos, considerando tanto os riscos físicos quanto os de transição.
Nesse sentido, a crescente conscientização sobre os efeitos climáticos e a necessidade de adaptação do setor de seguros são indispensáveis para enfrentar os desafios futuros. Com a implementação de estratégias eficazes e o apoio de especialistas como a PwC, o setor pode se preparar melhor para mitigar os riscos e proteger seus clientes contra os impactos das mudanças climáticas.