Tokio Marine

Diversidade nos espaços de poder como estratégia de desenvolvimento sustentável

Tania Cristina Teixeira, presidenta do Cofecon / Foto: Divulgação
Tania Cristina Teixeira, presidenta do Cofecon / Foto: Divulgação

Confira artigo de Tania Cristina Teixeira, presidenta do Conselho Federal de Economia

A relação entre liderança feminina e desenvolvimento econômico deixou, há muito tempo, de ser uma mera pauta social ou identitária. Hoje ela se insere no centro do debate sobre produtividade, inovação, competitividade e crescimento sustentável. Países e empresas que incorporam mulheres em espaços de decisão constroem estruturas mais eficientes e adaptáveis às transformações do Século XXI.

Diversos estudos sustentam a correlação positiva entre diversidade de gênero e desempenho econômico. Diversity Wins (McKinsey & Company, 2020) mostra que empresas com maior diversidade de gênero entre seus executivos têm 25% mais probabilidade de superar financeiramente a média de seus pares. O Gender 3000 Report (Credit Suisse Research Institute, 2021) revela que organizações com mulheres em posições de liderança apresentam retornos sobre o patrimônio (ROE) mais elevados, e que a presença de apenas uma mulher no conselho já traz uma melhora em indicadores financeiros.

Global Gender Gap Report (Fórum Econômico Mundial) também traz achados interessantes. A edição de 2022 do estudo revela que países com maior participação de mulheres em cargos de liderança e no parlamento tendem a ter melhores resultados em inovação, educação e indicadores de bem-estar geral, e que uma diminuição de 10% na brecha de participação feminina no mercado de trabalho pode aumentar em 0,3 ponto percentual o crescimento do PIB per capita dos países. Já a edição de 2025 estima que o mundo levará cerca de 123 anos para fechar completamente esta brecha.

A diversidade melhora processos de tomada de decisão, amplia a compreensão dos cenários, leva em conta realidades que, muitas vezes, são silenciadas e, desta maneira, gera respostas mais eficientes a contextos complexos e instáveis. No plano macroeconômico, a inclusão plena das mulheres no mercado de trabalho, na ciência, na política e nos espaços de poder amplia a base produtiva, fortalece a renda, dinamiza o consumo e impulsiona o crescimento. Economias que excluem talentos femininos desperdiçam capital humano e reduzem seu potencial produtivo, aprofundando desigualdades estruturais que se transformam em entraves ao desenvolvimento.

A liderança feminina também introduz novos olhares na formulação de políticas públicas. Temas como economia do cuidado, saúde mental, organização do tempo, mobilidade urbana, proteção social, educação e sustentabilidade passam a integrar a agenda econômica de forma estruturante, e não como pautas periféricas. Isso produz modelos de desenvolvimento mais equilibrados e um crescimento econômico que vem acompanhado de qualidade de vida para todos.

Entretanto, apesar de toda a evidência encontrada nestes estudos, a realidade ainda está longe de ser a ideal. Globalmente, as mulheres representam 41,2 dos trabalhadores, mas apenas 28,1 dos líderes. Esta disparidade é ainda mais visível em áreas de alto crescimento e grande importância econômica: embora as mulheres constituam quase um terço dos graduados nas chamadas áreas STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática), elas representam apenas 14% da liderança nestas mesmas áreas (Fórum Econômico Mundial, 2026). Além disso, conforme o mesmo estudo, a participação feminina em novas nomeações para cargos de liderança sênior atingiu o pico em 2022 e vem caindo nos últimos três anos (de 34,8% para 32,8%).

Defender diversidade nos espaços de liderança é reconfigurar o próprio modelo de desenvolvimento, deixando de perpetuar desigualdades históricas e fazendo com que a própria igualdade seja o motor de um crescimento que seja sustentável no longo prazo. As economias mais capazes de enfrentar os desafios do Século XXI (transição ecológica, crise climática, mudança demográfica e reconfiguração do mundo do trabalho, entre outros) serão aquelas nas quais a liderança feminina não seja uma concessão simbólica, mas uma estratégia de desenvolvimento.

Total
0
Shares
Anterior
ANS divulga dados econômico-financeiros de 2025
doctor holding red stethoscope

ANS divulga dados econômico-financeiros de 2025

Informações estão disponíveis em painel dinâmico e serão comentadas em evento

Próximo
Atlantica Hospitality International encerra 2025 com receita de R$ 2,92 bilhões
brown concrete building under blue sky during daytime

Atlantica Hospitality International encerra 2025 com receita de R$ 2,92 bilhões

Administradora projeta continuidade do ciclo de crescimento e segue com boas

Veja também