Nova regulação eleva a governança dos FIDCs e transforma Relações com Investidores em pilar central da confiança no mercado de crédito estruturado
O mercado brasileiro de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs)vive um momento de crescimento robusto e adoção mais ampla no sistema financeiro nacional. Em 2025, o patrimônio líquido total desses fundos já ultrapassou R$ 900 bilhões, após avançar 22,5% em 12 meses, acompanhando a expansão da base de investidores, que mais do que dobrou para 333,7 mil participantes no mesmo período.. Em 12 meses, o crescimento ficou próximo de 12%, mantendo a trajetória de expansão observada desde 2023, mesmo em um ambiente de juros elevados e maior seletividade de crédito. O número de fundos ativos também avançou de forma consistente e já ultrapassa 3.300 FIDCs, ante pouco mais de 2.300 há cerca de 3 anos, refletindo não apenas a criação de novos veículos, mas a diversificação de estratégias, setores e perfis de risco. Os segmentos mais sofisticados, como FIDCs multicedentes e multisacados, também ganharam tração, impulsionando fluxo de crédito estruturado com patrimoniais que se aproximam de dezenas de bilhões em carteiras especializadas. Esse movimento ocorre em paralelo a um ambiente regulatório que busca dar segurança, transparência e previsibilidade ao investidor, impulsionando ainda mais o crescimento e a maturação desse segmento no Brasil.
A evolução recente dos FIDCs tem sido marcada menos pelo crescimento de volume e mais por uma mudança clara de padrão. A consolidação do Marco Regulatório dos Fundos de Investimento, por meio da CVM 175, redesenhou a forma como os FIDCs são estruturados e apresentados ao mercado, elevando as exigências de governança, transparência e segregação patrimonial, com foco direto na validação e no reporte dos direitos creditórios. Nesse ambiente mais técnico, as áreas de Relações com Investidores passaram a ocupar papel central na construção de confiança, traduzindo regras complexas em comunicação clara e consistente. Esse movimento já se reflete em casas que se anteciparam à nova lógica regulatória. O Grupo IOX, por exemplo, registrou crescimento de 135% nos últimos 12 meses, resultado associado não apenas à expansão das operações, mas ao alinhamento rigoroso às diretrizes da CVM 175 e ao fortalecimento de processos internos. Para Richard Ionescu, CEO do Grupo IOX, a modernização regulatória marca uma virada estrutural. “A CVM 175 coloca os FIDCs em um novo patamar de maturidade, criando condições para um diálogo mais profundo e confiável entre gestores e investidores”, afirma. Nesse novo cenário, crescimento e credibilidade passam a caminhar juntos em um mercado que deixou de ser nicho e assumiu papel relevante no financiamento da economia real.
Com o arcabouço da Resolução CVM 175 em vigor, gestores e administradores de FIDCs enfrentam desafios práticos e estratégicos que vão desde a adaptação de controles internos à necessidade de relatórios detalhados, passando por novos planos de liquidação de ativos e revisão das políticas de risco. Ao mesmo tempo, esse novo patamar regulatório tem sido visto como oportunidade para ampliar a participação de fundos estruturados em carteiras sofisticadas, inclusive no exterior, já que investidores internacionais valorizam ambientes com segurança jurídica, governança robusta e comunicação transparente. Para Vicente Gueraldi, Diretor de RI do Grupo IOX, “a evolução da regulamentação dos FIDCs impõe uma disciplina mais rigorosa de divulgação e prestação de contas. A Resolução CVM 175 elevou o padrão de governança e transparência do setor, tornando o RI uma função estratégica na tradução de estruturas complexas, riscos e performance dos ativos em linguagem acessível ao investidor. Quando a comunicação é consistente, reduz a assimetria de informação, fortalece a confiança e amplia a disposição do mercado em alocar capital em fundos estruturados. É esse ambiente de confiança contínua que buscamos construir com nossos investidores”.
