Caren foi selecionada para apresentar suas soluções na HIMSS26, que acontece entre 9 e 12 de março em Las Vegas
Melhorar a qualidade de vida das pessoas e a lucratividade das empresas de saúde. Esse é o propósito da Caren, healthtech brasileira que utiliza Inteligência Artificial e gamificação para monitorar e engajar pacientes, ao mesmo tempo em que aprimora a previsibilidade das companhias do setor. Ela é a mais nova empresa brasileira a integrar o Programa de Startups da InterSystems, maior referência global em interoperabilidade em saúde. Como parte dessa jornada, apresentará sua tecnologia na HIMSS 2026, um dos eventos mais influentes de inovação em saúde, que ocorrerá em março de 2026, em Las Vegas (EUA).
Segundo projeções da Fortune Business Insights, o mercado global de saúde digital deve saltar de US$ 427,24 bilhões este ano para US$ 1.500,69 bilhões em 2032. Muito desse crescimento se dará devido à adoção acelerada de tecnologias de gestão de dados que promovem uma melhora significativa na eficiência operacional das empresas – ativo precioso que a Caren conhece bem.
A startup é uma plataforma que centraliza informações e emite alertas para que o paciente tome decisões que favoreçam sua saúde e, consequentemente, o negócio de planos, operadoras e indústrias farmacêuticas. Ao analisar o histórico de cada usuário, o sistema identifica o perfil de risco e pendências com a saúde, a fim de que medidas preventivas sejam adotadas, como o agendamento de uma consulta periódica, um exame ou a compra de um medicamento.
Um dos pilares está no conceito de “Gamificação do Cuidado”, uma abordagem que traz a dinâmica dos jogos para a gestão da saúde, mantendo o usuário engajado sem provocar saturação ou abandono. Para isso, a Caren desenvolve jornadas de cuidado personalizadas, apoiadas em protocolos médicos validados e em um suporte inteligente à decisão.
O aplicativo apresenta um avatar da saúde como elemento central, uma interface inovadora que transforma o cuidado em uma experiência interativa e transparente. Essa dinâmica incentiva ações que realmente mudam o comportamento dos usuários. O resultado é uma atenção muito mais orientada à prevenção do que ao tratamento, gerando mais saúde para as pessoas e uma economia significativa para todo o setor.
De acordo com estudos internacionais, as despesas anuais com consultas, exames, medicamentos básicos e programas de estilo de vida com foco em diabetes tipo 2 giram em torno de R$ 1.500 a R$ 3 mil. Já os tratamentos aplicados em casos de complicações, como diálise, internações, amputações e hospitalizações, ficam em torno de R$ 40 a R$ 80 mil/ano – ou seja, até 25 vezes mais.
No caso da hipertensão, a diferença é ainda maior. Enquanto se gasta em torno de R$ 800 a R$ 2 mil/ano com o controle da doença, esse valor salta para R$ 30 a R$ 100 mil quando há um AVC, infarto, necessidade de UTI ou reabilitação, o que representa um custo 50 vezes mais alto. Mas, entre as maiores despesas está o câncer de colo do útero. Enquanto a doença poderia ser identificada em estágios iniciais com exames simples, como Papanicolau e HPV, a um custo anual de R$ 200 a R$ 500, esses valores disparam para R$ 150 a R$ 300 mil em casos de cirurgias, quimioterapia e radioterapia – um custo 600 vezes maior e com muito menos chances de sobrevida.
Foi pensando nesse erro estratégico das companhias que, em 2018, Thiago Bonfim, empresário com passagem por empresas de tecnologia para o mercado financeiro e redes sociais, se juntou a um time de áreas diversas para fundar a Caren, plataforma projetada para melhorar a qualidade de vida das pessoas e impulsionar a redução de custos em todo o sistema de saúde por meio da inteligência de dados.
A startup já atende grandes empresas, como Unimed e Novartis, totalizando mais de 160 mil vidas monitoradas. “Nossas soluções podem reduzir os custos com internações, cirurgias evitáveis e medicamentos de alto custo já no primeiro mês de implantação. Em um único cliente, evitamos mais de R$ 12 milhões em despesas assistenciais, aumentamos em 460% o índice de resposta dos pacientes e alcançamos 88% de adesão nas jornadas de cuidado. Esses resultados se traduzem em um retorno sobre o investimento superior a oito vezes. Já sobre a saúde das pessoas, o benefício é inestimável. Quanto custa um infarto ou um AVC que nunca acontecerão, e uma vida que foi prolongada? Impossível calcular”, afirma Bonfim.
O sistema usa IA com um modelo de aprendizado próprio (RAG) e um LLM executado em servidores dedicados, assegurando a confidencialidade dos dados. Há um dashboard completo de informações, criando uma verdadeira central de comando para instituições de saúde. Ele fornece um scanner em tempo real das vidas cuidadas, indicando ações necessárias e antecipando cenários por meio de modelos preditivos que permitem uma gestão proativa e muito mais eficiente.
E a empresa já tem gerado novos frutos. Entre eles, o Telemed.se, um sistema de telemedicina que oferece segurança e eficiência para consultas remotas, e o Verus.life, plataforma que usa machine learning para orientar o mercado de seguros sobre a aceitação, recusa ou agravo de apólices com base em análises precisas de dados.
A Caren já passou por duas rodadas de investimento e, hoje, está avaliada em US$ 20 milhões. Agora, abre uma nova rodada, destinada a acelerar sua expansão no mercado britânico, onde mantém uma operação ativa desde julho de 2025. A participação na HIMSS26 será uma vitrine estratégica, e o marco ideal para impulsionar essa captação. “Precisamos simplificar a forma como gerenciamos informações de saúde não apenas para otimizar a operação das empresas, mas, acima de tudo, para cuidar melhor das pessoas”, finaliza o fundador.
*Com informações de Informamídia.
