Janeiro Branco: como os ambientes podem interferir na saúde mental

Gabriela Sartori e Priscilla Bencke, fundadoras da NEUROARQ® Academy/ Foto: Divulgação
Gabriela Sartori e Priscilla Bencke, fundadoras da NEUROARQ® Academy/ Foto: Divulgação

Brasil é o país com maior número de indivíduos ansiosos e o segundo das Américas com mais pessoas depressivas, segundo a OMS

Em meio a crescentes preocupações com a saúde mental no Brasil, especialistas destacam a influência significativa dos ambientes físicos no bem-estar psicológico. O movimento Janeiro Branco chama atenção para a neuroarquitetura e ambientes restauradores como chaves para combater a ansiedade e depressão, problemas cada vez mais prevalentes na sociedade moderna.

Criado em 2014, o Janeiro Branco é um movimento social dedicado à construção de uma cultura da Saúde Mental na humanidade. Seu objetivo é chamar a atenção das instituições, autoridades e, principalmente, da sociedade civil para questões como a ansiedade.

De acordo com informações do Ministério da Saúde, a prevalência de depressão ao longo da vida no Brasil está em torno de 15,5%. A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que a prevalência de depressão na rede de atenção primária à saúde é de 10,4%.

A neuropsicóloga Cinara Soares, que integra o time de docentes da NEUROARQ® Academy, empresa de educação especializada na formação de profissionais e disseminação da neurociência aplicada à arquitetura, também conhecida como “neuroarquitetura”, esclarece que o ambiente em que vivemos e trabalhamos pode ser um fator determinante para o surgimento de sintomas de distúrbios psicológicos.

Ela destaca que as interações humanas, tanto com outras pessoas quanto com os espaços ocupados, são fundamentais na formação da identidade individual, impactando diretamente na saúde geral. “Estamos constantemente moldados pelas nossas relações e pelo ambiente ao nosso redor”, diz ela.

Por sua vez, a arquiteta Gabi Sartori, uma das fundadoras da NEUROARQ® Academy, salienta a importância de analisar os ambientes sob uma perspectiva de saúde mental. Ela argumenta que os espaços são um reflexo de seus ocupantes. “Os ambientes espelham quem somos influenciados por nossos estados mentais e organização de pensamentos”, explica Sartori.

Ela também acredita que a desordem em um espaço pode ser um indicativo de uma mente desorganizada. Sartori reforça que, com o entendimento do impacto ambiental em nossas vidas, é possível transformar os espaços em ferramentas para mudança comportamental.

Escolhendo Ambientes Saudáveis

A escolha consciente de ambientes pode ter um efeito benéfico na saúde mental e física. Ambientes naturais, como parques e florestas, são conhecidos por suas propriedades restauradoras. Contudo, estudos indicam que espaços construídos também podem oferecer benefícios semelhantes, promovendo mudanças psicológicas e fisiológicas positivas.

Essas teorias nos orientam na escolha de ambientes que favorecem nossa saúde. Conectar-se com a natureza e experimentar os benefícios dos Ambientes Restauradores pode ser uma prática enriquecedora.

A arquiteta Priscilla Bencke, também co-fundadora da NEUROARQ® Academy, enfatiza a importância de refletir sobre como os espaços influenciam a saúde mental. “É crucial questionar se os ambientes reforçam práticas prejudiciais à saúde”, ela observa.

Ela menciona que este conceito é especialmente relevante no contexto corporativo, onde o design do espaço de trabalho pode afetar tanto a saúde mental quanto física dos funcionários.

Benefícios da Neurociência na Arquitetura

Gabi Sartori aponta que a neurociência, quando aplicada à arquitetura, pode aliviar sintomas como ansiedade, depressão e insônia. Ela destaca a importância de elementos naturais, formas, cores e iluminação no design para promover o bem-estar. “A incorporação de elementos naturais é uma área de estudo constante para o tratamento de transtornos psicológicos”, ela reforça.

Ela acredita que um entendimento profundo dos usuários finais de um espaço é essencial para criar ambientes que auxiliem na melhoria da saúde mental.

Priscilla Bencke argumenta que projetos que incorporam neurociência na arquitetura oferecem vantagens significativas. “Os residentes se beneficiam de um design que atende às suas necessidades pessoais e psicológicas, enquanto os arquitetos ganham com briefings mais precisos e a satisfação de entregar projetos que verdadeiramente enriquecem a vida dos clientes”, ela conclui.

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