Doença infecciosa crônica atinge principalmente pele e nervos, chamando atenção de especialistas para diagnósticos tardios, causando sequelas e deformidades
A campanha Janeiro Roxo, que busca conscientizar sobre hanseníase, vem com um tom de alerta no Brasil. O país ocupa o segundo lugar no ranking mundial de novos casos, perdendo somente para a Índia. Dados recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que em 2024 foram mais de 22 mil diagnósticos da doença.
O dermatologista do Grupo São Lucas de Ribeirão Preto, Dr. Márcio Massaro Mourani (CRM: 209822/RQE: 112421), alerta que os sintomas merecem atenção imediata, pois se não tratados a tempo, podem levar a dano permanente nos nervos, ocasionando fraqueza e atrofia dos músculos, gerando deficiências permanentes.
“Na maioria das vezes, os primeiros sintomas são áreas da pele ‘adormecidas’, ou seja, com redução de sensibilidade ao toque, dor ou temperatura. Às vezes, essa mesma região pode estar com uma coloração diferente do restante da pele, podendo ser mais clara ou avermelhada. Muitos pacientes queixam-se ainda de dormência, formigamentos e
A doença pode ser transmitida por via respiratória no contato prolongado com a pessoa infectada que não iniciou a medicação, não sendo transmitida por toque, abraço ou compartilhamento de objetos. Atualmente, o tratamento é feito por via oral, com três antibióticos diferentes, sendo que dois deles tomando todos os dias, e o terceiro tomando uma vez por mês. A durabilidade tem cerca de 6 a 12 meses, com ressalvas para alguns casos que precisam ter o procedimento prolongado. Outro ponto importante é que o paciente deixa de transmitir a doença em poucos dias após o início dos remédios.
“A medicação precisa ser feita de forma correta, com boa adesão do paciente, para evitar a chamada resistência bacteriana, pois nesses casos o tratamento convencional pode não ser suficiente, sendo necessário realizar mais um ciclo do procedimento com outras medicações. No mês de janeiro queremos lembrar que hanseníase existe ainda nos dias de hoje, e que pode afetar qualquer pessoa da sociedade, independente da classe social ou cor de pele. A doença possui tratamento gratuito fornecido pelo SUS, e com possibilidade de cura sem deixar sequelas estigmatizantes”, enfatiza.
