Relatório Horizons mostra resiliência do middle market; Brasil lidera as maiores transações da região
Mesmo diante de um ambiente econômico global desafiador, a atividade de fusões e aquisições no middle market na América Latina mostrou resiliência em 2025 e sinaliza boas perspectivas. A conclusão é da nova edição do relatório BDO Horizons – Q1 2026, divulgado pela BDO, referência global em auditoria e consultoria.
No segundo semestre de 2025, a região registrou 223 transações concluídas, somando US$ 22,7 bilhões, um avanço de 13,2% no valor total em comparação ao primeiro semestre do ano, apesar de uma leve redução de 3,9% no volume. O ticket médio das operações aumentou frente a H1 2025 e H2 2024, reforçando a seletividade dos investidores e o foco em ativos estratégicos. O private equity também ganhou tração: foram 46 operações (+9,5% vs. H1 2025), com um salto expressivo de 41,8% no valor investido no período.
Os 20 maiores deals totalizaram US$ 7,9 bilhões, equivalente a 34,8% do valor total transacionado na região. O Brasil foi destino de 11 dessas 20 operações, representando 53,5% do valor consolidado dos maiores negócios.
Quatro setores concentraram 67% de todos os deals realizados na América Latina: Energia, Mineração & Utilities (43), TMT – Tecnologia, Mídia e Telecom (42), Serviços Empresariais (33) e Serviços Financeiros (32).
“O desempenho reflete a relevância da região como fornecedora global de minerais críticos, como lítio, cobre e ferro, essenciais para cadeias industriais e tecnológicas. A América Latina, porém, segue pressionada por baixa produtividade, altos custos de financiamento e os impactos das tarifas impostas pelos Estados Unidos em 2025”, afirma Adriano Corrêa, co-head de Advisory da BDO Brasil.
“No Brasil, a combinação de gastos públicos elevados, inflação acima da meta e juros altos deve reduzir o crescimento do PIB para 2,0% em 2026, após 2,3% estimados para 2025. Mesmo assim, setores como mineração devem manter desempenho positivo, impulsionados pela demanda externa”, complementa Romina Lima, sócia de Corporate Finance da BDO Brasil.
Para eles, a aprovação do acordo União Europeia–Mercosul deverá ampliar o acesso dos países do bloco sul-americano a um mercado de 722 milhões de consumidores. Para o Brasil, os efeitos esperados incluem uma maior competitividade em café, sucos, frutas e óleos vegetais; estímulo à cadeia de minerais críticos, dado que o país abriga a 2ª maior reserva mundial de terras raras e um potencial incremento de 0,5% no PIB até 2040.
“Os dados confirmam que, mesmo em meio as incertezas políticas e macroeconômicas, o investidor continua ativo e disposto a alocar capital em ativos estratégicos na América Latina. O fortalecimento das cadeias de minerais críticos e a abertura de novos mercados, como o europeu, devem impulsionar oportunidades relevantes em 2026”, finaliza Corrêa.



