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Mulheres na liderança moldam o futuro das indústrias brasileiras

Lourdes Manzanares, diretora da AHK-PR / Foto: Divulgação
Lourdes Manzanares, diretora da AHK-PR / Foto: Divulgação

A importância das políticas de diversidade e inclusão para o crescimento da indústria

Com a chegada do mês de março, dedicado à celebração das mulheres, a Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha no Paraná (AHK-PR) destaca o crescente papel das mulheres na liderança das empresas industriais. Embora elas ocupem cerca de 16% dos cargos de liderança na indústria brasileira, os dados demonstram que empresas com maior diversidade de gênero têm 25% mais chances de alcançar rentabilidade acima da média do setor, segundo estudo global da McKinsey. Para Lourdes Manzanares, diretora da AHK-PR, ampliar a presença feminina em posições estratégicas não é apenas uma questão de equidade, mas de competitividade.

Segundo dados do IBGE e levantamentos recentes do Ministério do Trabalho e Emprego, a presença feminina em posições executivas tem crescido, mas ainda está distante da paridade, especialmente na indústria. Para Lourdes, o movimento é claro — e irreversível. “Apesar dos desafios que ainda enfrentamos, as mulheres estão conquistando cada vez mais espaços nas empresas. E isso impacta diretamente os resultados. Diversidade não é discurso, é estratégia”, afirma.

Na Alemanha, políticas mais consolidadas de diversidade vêm sendo implementadas desde 2015, com maior intensidade a partir de 2020. Medidas como cotas de gênero em conselhos administrativos, programas estruturados de mentoria, incentivos à transparência salarial e políticas robustas de licença parental contribuíram para um ambiente mais favorável à ascensão feminina.

Dados do Statistisches Bundesamt (Departamento Federal de Estatísticas da Alemanha) indicam que o gap salarial de gênero no país gira em torno de 16%. No Brasil, segundo dados oficiais divulgados após a Lei 14.611/2023, que instituiu a obrigatoriedade de relatórios de transparência salarial, a diferença salarial média ainda permanece superior, podendo chegar a cerca de 20% no mercado geral, com variações conforme setor e cargo. “É um caminho em construção. A Alemanha e outros países europeus começaram esse processo antes, mas o Brasil está avançando. A nova legislação de transparência salarial é um marco importante”, destaca Lourdes.

Países nórdicos como Suécia e Islândia também são frequentemente citados como referência, com mais de 40% de mulheres em cargos de liderança sênior, resultado de políticas públicas consistentes e incentivo cultural à igualdade de gênero desde a base educacional.

Liderança feminina na prática entre os associados

Se no cenário macro os números mostram avanços graduais, entre as empresas associadas à AHK-PR já é possível ver exemplos concretos dessa transformação. É o caso da Heide Naturals, indústria paranaense de ingredientes naturais para os setores de alimentos, bebidas e cosméticos, que em 2025 completou 25 anos de atuação. A empresa é liderada por Ana Heemann, farmacêutica de formação e empreendedora que construiu sua trajetória em um segmento altamente técnico e competitivo.

Com produção própria em Pinhais (PR) e atuação B2B, a Heide Naturals desenvolve ingredientes a partir da biodiversidade brasileira, como erva-mate, guaraná e açaí, conectando o campo à indústria com rigor técnico e padronização internacional. A empresa exporta para países como Alemanha e Estados Unidos, competindo diretamente com fornecedores globais.

“A nossa área de formação, a farmácia, sempre teve forte presença feminina. Mas quando falamos de indústria e liderança, ainda existe um desafio maior. Eu acredito que o olhar feminino faça diferença, especialmente pela sensibilidade e pelo cuidado na gestão de pessoas”, completa Ana.

Na prática, essa liderança se traduz em decisões humanas e estratégicas. Ana relembra um episódio marcante quando, durante o período de experiência de um colaborador que enfrentava uma questão pessoal, a empresa optou por aguardar sua recuperação em vez de rescindir o contrato.

“Ele voltou acreditando que seria demitido. E nós o recebemos de portas abertas. Questões de saúde mental precisam ser tratadas com sensibilidade, inclusive nas lideranças”, destaca.

Hoje, a maioria do quadro da Heide Naturals é composta por mulheres, incluindo a liderança da área de fabricação, ocupada há mais de uma década por uma profissional feminina. Para Ana, isso não é apenas coincidência, mas reflexo de comprometimento, responsabilidade e engajamento.

O papel da AHK-PR como ponte estratégica

Para Lourdes Manzanares, exemplos como o da Heide Naturals mostram que a transformação já está em curso, e pode ganhar ainda mais força com articulação institucional. “A Câmara pode atuar como ponte. As empresas alemãs instaladas no Brasil, muitas com políticas de diversidade já consolidadas, podem compartilhar boas práticas, promover workshops, programas de mentoria e iniciativas de networking focadas em liderança feminina”, acrescenta.

Com mais de 160 empresas associadas no Paraná, a AHK-PR reforça seu compromisso em estimular a troca de experiências entre empresas brasileiras e alemãs, acelerando a implementação de políticas que promovam diversidade, inclusão e igualdade de oportunidades.

“A presença de mulheres nos altos escalões não é apenas uma questão de equilíbrio. É uma decisão inteligente para o futuro das empresas e da economia”, conclui Lourdes. A liderança feminina já é realidade em muitas associadas da Câmara Alemã do estado. O desafio agora é ampliar esse movimento, transformando bons exemplos em prática estrutural.

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