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Para cientistas políticos, relação do Congresso com governo depende de quem for eleito presidente

Roque de Sá/Agência Senado
Brasília - Congresso - Congresso Nacional no domingo, 02 de outubro de 2022, dia de votação em primeiro turno das eleições no Brasil.
Congresso Nacional terá menos partidos em sua composição

Um dia após o fechamento das urnas, a conclusão da apuração pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou as projeções que davam como certo o aumento da bancada de partidos de centro-direita no Congresso que vai tomar posse no ano que vem.

O PL, partido do presidente Jair Bolsonaro, terá a maior bancada na Câmara, subindo de 76 para 99 deputados. A legenda também será a maior bancada no Senado, com 14 senadores.

Na Câmara, depois do PL vem a federação formada pelo PT, PV e PCdoB, aliados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com 80 deputados. A bancada do PT subiu de 54 para 68. O número de 80 chega com os seis do PCdoB e os seis do PV.

Em seguida, as maiores bancadas no ano que vem na Câmara serão a do União Brasil, com 59 deputados; a do PP, com 47; e a do MDB, com 42.

Esse cenário de polarização entre os partidos de Lula e de Bolsonaro repete 2018, quando o PT elegeu 54 deputados e o PSL, então partido de Bolsonaro, 52.

Congresso conservador
Cientistas políticos apontam que o próximo Congresso será mais conservador e de direita que o atual, mas eles são cautelosos quando falam do apoio de deputados e senadores ao futuro governo.

Para o analista político Antônio Augusto de Queiroz, o comportamento do Congresso está diretamente ligado a quem será o próximo presidente da República. Se Jair Bolsonaro for reeleito, ele prevê uma ênfase nas pautas de costume e em projetos que aumentam penas para crimes.

"Essa nova composição é uma composição mais centro-direita que a atual. Agora, o presidente da República tem uma influência sobre o comportamento do Congresso muito grande. Então, por exemplo, se for o presidente Bolsonaro, este Congresso vai se direcionar muito para a direita", avaliou.

Para o analista político, o atual presidente vai ter a oportunidade de fazer as reformas de costumes que ele não conseguiu fazer no primeiro mandato. "Se o presidente Bolsonaro for reeleito, ele tem uma base muito apropriada para isso. Houve um crescimento significativo de evangélicos e da bancada de segurança", disse.

Para Antônio Augusto Queiroz, o PL ter a maior bancada não significa necessariamente oposição automática a Luiz Inácio da Silva, caso o candidato do PT seja eleito. Segundo ele, pouco mais de 30% dos deputados do partido podem ser considerados bolsonaristas-raiz, o que permite uma margem de manobra para o governo caso o petista seja eleito.

Oposição indefinida
O cientista político Leonardo Barreto vai na mesma linha. Ele diz que, hoje, é cedo para apontar que partidos farão oposição sistemática a Lula.

"A gente vai ter um Congresso mais conservador, mais de direita, mais liberalizante. Isso é um impeditivo, é um sinal de que, caso o ex-presidente Lula seja eleito, terá um Congresso ingovernável? Não. Tanto é que a gente não pode dizer que nenhum desses partidos que chegaram serão oposição automática ao ex-presidente Lula", disse.

A cientista política Silvana Krause apontou outro fator de cautela na análise do comportamento do futuro Congresso: a cláusula de barreira, que reduziu o número de partidos na Câmara. Segundo ela, legendas médias e pequenas tendem a se fundir, o que vai diminuir a quantidade de legendas, processo que já começou com a criação de federações, em que os partidos se unem e na prática atuam como se fossem um só por um período de quatro anos.

"O que eu acho mais interessante é que esta eleição, e agora vamos ter que cuidar, analisar, ela tende a mostrar uma fragmentação menor. Nós tivemos 30 partidos na eleição de 2018. Ao que tudo indica, nós vamos ter, com as federações, 19 partidos representados. E 23, considerando cada partido, independentemente das federações. Então é uma mudança, e a gente tem que ter muito cuidado para ver o que vai acontecer", avaliou.

Partidos tradicionais diminuíram de tamanho na Câmara. O PSDB caiu de 22 para 13 deputados. O PSB caiu de 24 para 14. E o PTB de 10 para apenas 1.

Senado Federal
No Senado, partidos aliados do presidente Jair Bolsonaro ficaram com a maioria das cadeiras em disputa. O PL, partido do presidente, elegeu 8 das 27 vagas. Outros partidos da base governista, como PSC, PP, Republicanos, elegeram seis. O PT, partido do candidato Luiz Inácio Lula da Silva, elegeu quatro. E o PSB, partido do candidato a vice de Lula, Geraldo Alckmin, apenas um.

Com isso, o PL vai ocupar 14 cadeiras no Senado, ou seja, assim como na Câmara, o partido do atual presidente da República terá a maior bancada da Casa.

Para Graziella Guiotti Testa, o resultado foi uma demonstração de força do bolsonarismo. "Para o Senado, a gente tem visto que o apoio do Bolsonaro deu muitos frutos. A gente tem aí Hamilton Mourão, pelo RS, e Damares Alves, pelo DF. Este apoio bolsonarista deu muitos frutos no Senado."

Apesar de ter obtido apenas 4 das 27 cadeiras em disputa no Senado, a bancada do PT aumentou de 7 para 9 senadores.

Entre os senadores eleitos estão os atuais deputados Efraim Filho (União-PB), Alan Rick (União-AC), Professora Dorinha (União-TO), Tereza Cristina (PP-MS), Laercio Oliveira (PP-SE) e Hiran Gonçalves (PP-RR).

Artigo Original: Agência Câmara Notícias

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