Estudo do IESS revela crescimento dos eventos assistenciais em iniciativa de apoio ao ‘Janeiro Branco’
Os eventos assistenciais relacionados ao transtorno bipolar em atendimentos prestados pelos planos de saúde apresentaram crescimento expressivo e contínuo entre 2015 e 2024, segundo o estudo “Evolução dos eventos assistenciais relacionados ao transtorno bipolar na saúde suplementar brasileira”. Elaborado pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), o estudo é uma iniciativa dentro do Janeiro Branco, movimento nacional de conscientização que convida a sociedade a refletir sobre a importância da saúde mental, a prevenção do adoecimento psíquico e a redução do estigma associado aos transtornos mentais.
O levantamento mostra que a ampliação da demanda ocorre em ambos os sexos e em todas as faixas etárias, com aceleração mais intensa a partir dos anos recentes, reforçando que a saúde mental ganha relevância crescente dentro do sistema de saúde suplementar.
A análise revela aumento significativo tanto na razão de casos por prestador de serviços de saúde (volume de atendimentos por prestador) quanto nas taxas por 100 mil beneficiários.
Entre os homens, a taxa de eventos cresceu 258,3% no período analisado; entre as mulheres, o avanço foi ainda maior, de 273,7%. Embora os valores absolutos sejam mais elevados no sexo feminino ao longo de toda a série histórica, o ritmo de crescimento é semelhante entre os sexos, indicando um fenômeno sistêmico de ampliação da demanda por cuidado em saúde mental. “Não estamos diante de oscilações pontuais, mas de uma tendência estrutural de crescimento da demanda por cuidado em saúde mental, com o transtorno bipolar assumindo relevância crescente no perfil assistencial do setor”, avalia José Cechin, superintendente executivo do IESS.
O estudo também chama atenção para o comportamento por faixa etária. A maior concentração absoluta de eventos ocorre entre adultos de 20 a 59 anos, população em idade produtiva e diretamente associada a impactos econômicos e assistenciais relevantes. Ao mesmo tempo, observa-se crescimento proporcional ainda mais acelerado entre beneficiários com 60 anos ou mais, sinalizando um processo de envelhecimento da população com transtornos mentais crônicos. Entre crianças e adolescentes, apesar de os níveis absolutos ainda serem baixos, o aumento relativo é expressivo, sugerindo maior vigilância clínica e ampliação do acesso ao diagnóstico e ao cuidado especializado. “Esse crescimento reflete, em grande medida, a combinação entre maior reconhecimento clínico e ampliação do acesso aos serviços em saúde mental, e não apenas um aumento abrupto da incidência da doença”, explica Cechin.
Ao evidenciar a expansão contínua desses atendimentos, o levantamento do IESS reforça a necessidade de tratar a saúde mental como eixo estruturante das políticas assistenciais, e não como tema periférico.
Além dos impactos clínicos, o estudo destaca repercussões relevantes para operadoras de planos de saúde e empresas contratantes, uma vez que o transtorno bipolar está associado a custos assistenciais diretos, afastamentos prolongados, absenteísmo, presenteísmo e perda de produtividade. Nesse contexto, estratégias de cuidado estruturado, longitudinal e integrado tornam-se fundamentais para a sustentabilidade do sistema.
O IESS ressalta que o fortalecimento de modelos assistenciais baseados em dados, alinhados às necessidades reais da população beneficiária, é decisivo para enfrentar o crescimento observado dos transtornos mentais e para avançar na construção de um sistema de saúde suplementar mais eficiente, integrado e sensível aos desafios contemporâneos da saúde mental.
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