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Procura por Seguro de Doenças Graves dispara e cresce 52% no Sudeste

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Photo by Piron Guillaume on Unsplash

Expansão em um dos maiores sistemas cooperativos de crédito da região reforça avanço da modalidade

O seguro no Brasil deixou de ser um item de proteção apenas em casos de morte para se consolidar como uma ferramenta estratégica para a vida. A modalidade que oferece proteção em casos de doenças graves tem obtido cada vez mais adesão do público. As cooperativas filiadas ao Sicoob UniMais Rio, que reúne uma rede no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, tiveram sua carteira impulsionada pelo produto com salto de 52% nas vendas em 2025, resultado que representa desempenho 133% acima da meta prevista.

De acordo com Cintia Pacheco de Araújo, analista de Seguros do Sicoob UniMais Rio, a tendência atual é a personalização absoluta, com coberturas que preveem, inclusive, indenização em casos de diagnóstico de câncer e outras intercorrências, como AVC, ou seja, o segurado contrata um capital que pode ser liberado, por exemplo, para custear despesas não cobertas pelo plano de saúde.  “Não trabalhamos com produtos ‘de prateleira’, engessados. O seguro moderno é uma plataforma modular, onde o segurado define as coberturas de acordo com sua realidade, seja ele o principal provedor da casa ou não”, explica.

Neste contexto, cresce a busca por coberturas que garantam indenização em caso de diagnóstico de doenças graves. Entre elas, destaca-se o câncer, o que reflete os indicadores da doença no país. O relatório “Perfil Epidemiológico da Incidência de Câncer no Brasil e Regiões”, divulgado pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca) em fevereiro deste ano, aponta o câncer como uma das principais causas de adoecimento e morte no país, com impacto cada vez mais próximo ao das doenças cardiovasculares.

Cintia acredita que a percepção de valor do seguro com proteção em casos de saúde deve se refletir nas campanhas voltadas para 8 de março, Dia Internacional da Mulher, bem como em ações relacionadas a outras enfermidades, já que a modalidade permite a antecipação da indenização assim que o diagnóstico de patologias específicas – como câncer de mama, colo do útero, pulmão ou tireoide – é confirmado. Diferentemente do modelo tradicional, focado na sucessão patrimonial pós-morte, o seguro para doenças graves funciona como um auxílio-subsistência.

“É uma ferramenta de proteção essencial para a subsistência, especialmente diante do cenário em que mulheres, cada vez mais, assumem o papel de principais provedoras e sustento dos lares”, observa a especialista.

O pagamento da indenização do seguro é escalonado e varia conforme a complexidade do diagnóstico, com base em critérios médicos: diagnóstico leve (antecipação de 30% do capital segurado), diagnóstico moderado (50% do capital segurado) e diagnóstico agravado (pode chegar até 100% do capital segurado). A cobertura não se restringe ao pagamento de faturas médicas, como num plano de saúde, permitindo o uso livre da indenização liberada pelo seguro.

“O segurado recebe o capital em conta e pode utilizá-lo para comprar medicamentos não cobertos, adaptar sua residência, mudar de moradia, custear transporte para o tratamento ou até manter o padrão de vida caso precise se afastar de suas atividades profissionais”, explica Cintia Pacheco de Araújo, acrescentando que o produto está disponível para pessoas com até 70 anos e que clientes que já tiveram câncer podem fazer seguro de vida, após uma análise da Declaração Pessoal de Saúde (DPS). Se a doença estiver em remissão, a cobertura poderá ser concedida conforme as condições estabelecidas na apólice.

O fenômeno tem afetado o mercado como um todo. Somente em agosto do ano passado, as cooperativas do Sicoob UniMais Rio comercializaram mais de R$ 116 mil em apólices em um único dia. O resultado deixa explícito que o motor do crescimento dos seguros no país não são mais os sinistros tradicionais, como o pós-morte, acidentes de automóveis, ou incêndios, mas o seguro de pessoas que priorizam o bem-estar.

A troca do foco da proteção ao patrimônio para o bem-estar impacta os números do país. O mercado de seguros no Brasil fechou 2025 com um crescimento de 8,5% e projeção de alta de 8% para 2026, segundo a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg). Os dados, divulgados no final do ano passado, não consideram a previdência complementar aberta.

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