Taxa Selic: Banco Central define juros nesta quarta

Taxa Selic: Banco Central define juros nesta quarta/ Foto: Unsplash
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Nesta quarta, o Copom define a taxa Selic e o mercado espera por mais uma queda em meio ponto percentual nesta reunião com a taxa de juros básica passando de 11,75% para 11,25%.

Para Jaqueline Kist, especialista em mercado de capitais e sócia da Matriz Capital, o comitê deve seguir no comunicado a ser divulgado nesta quarta reforçando o firme comprometimento com a convergência da inflação ao redor da meta e, principalmente, com a reancoragem das expectativas de inflação, que exercem pressão inflacionária inercial. “Desde a última reunião, tivemos a divulgação do IPCA de dezembro e o fechamento do acumulado anual de 2023, que fechou em 4,62% – resultado que veio dentro do intervalo da meta de inflação para o ano, definida pelo CMN. Foi o primeiro ano em que a meta foi cumprida dentro dos intervalos de tolerância desde 2020 – o que indica a persistência da trajetória desinflacionária e deve ditar o tom de manutenção de ritmo de queda”, diz.

Para a especialista, mesmo com dados positivos recentes positivos, como o IPCA-15 bem abaixo do esperado pelo mercado e com o PCE (índice de inflação americano) vindo dentro do esperado, ainda assim o comitê deve adotar um tom de cautela no comunicado e não deve indicar qualquer aceleração no corte de juros, visto que o comprometimento do BC com a reancoragem das expectativas de inflação é relevante: “Mas penso que podemos ter algum indicativo sobre a intenção da Selic terminal no ano”, afirma.

Ricardo Jorge, especialista em renda fixa e sócio da Quantzed, casa de análise e empresa de tecnologia e educação para investidores, concorda que o Banco Central se manterá ainda bem cauteloso porque há muitas inseguranças no radar. “A gente tem os possíveis efeitos do El Niño, do aumento do custo de frete das embarcações que transitam pela região do Mar Vermelho, a China em desaceleração. Ou seja, existem várias incertezas no âmbito internacional que, na minha visão, não contribuem para que o Banco Central venha com o discurso mais dovish. Então, eu acho que é muito mais provável que mantenha um discurso cauteloso até para não correr o risco de dar alguma sinalização de aceleração do corte de juros mais à frente e aí depois tenha que dar um passo atrás, porque, por exemplo, a expectativa inflacionária desancorou”, explica.

Para o especialista,  mesmo com a queda da Selic, ainda vale a pena investir na renda fixa, pois a taxa de juros ainda é muito alta, tanto a taxa de juros real quanto a taxa de juros nominal. “A renda fixa em 2024 ainda vai continuar sendo uma boa opção de investimento, principalmente para aqueles investidores mais conservadores. Então, é claro que a gente não vai conseguir mais investimentos nas taxas que nós vimos em 2023, mas isso não significa que o nível atual deixe de ser interessante. Então, eu acho que para aqueles investidores que procuram menos risco, a renda fixa ainda é a melhor opção”, afirma.

Rodrigo Azevedo, economista, planejador financeiro e sócio-fundador da GT Capital, acredita que ainda há espaço para investimentos em ativos prefixados e produtos atrelados à inflação. “Nos prefixados, acreditamos em títulos de no máximo três anos de vencimento. Já em titulos de inflação, trabalhamos com um prazo maior, entre 8 a 9 anos de vencimento, prazo em que achamos que temos os melhores prêmios de renda fixa”, comenta. Acima desse prazo, segundo Azevedo, o investimento já envolve uma questão de risco mais macro, o que faz perder a atratividade para o investidor mais conservador, mas pode atrair aqueles com o perfil mais arrojado.

O especialista ainda reforça: “Estamos em momento crucial em que ainda dá tempo de aproveitar possibilidades até a segunda reunião do ano. A partir daí, o ideal será pensar em outra estratégia”.

Para Rodrigo Cohen, analista de investimentos e co-fundador da Escola de Investimentos, mesmo com a taxa de juros caindo, a renda fixa segue como um investimento importante para se ter na carteira. “Até uma Selic em torno de 7%, por exemplo, ainda assim na minha opinião vai valer a pena, ainda mais com a inflação cair junto. Para mim, o ideal é sempre preferir ativos atrelados ao IPCA. Os ativos prefixados, na minha visão, só valem quando a Selic está muito lá em cima e a gente não tem expectativa de novas altas. Mesmo assim é um risco. O pós-fixado pode ser uma boa alternativa, mas o investimento pode sofrer com a inflação, caso venha a subirE com a Selic caindo muito, a gente tem bolsa subindo e fundos imobiliários também. E aí o investidor precisa começar a diversificar.  Já está na hora de começar a olhar bolsa há muito tempo e fundos imobiliários também, diz.

Na bolsa, Andre Fernandes, head de renda variável e sócio da A7 Capital, indica ficar de olho em setores mais resilientes da economia como os setores elétrico e de saneamento, que possuem um caixa mais previsível. “Outro setor interessante é o de bancos, que podem surpreender o consenso porque, apesar da queda de juros diminuir as taxas deles de emprestar dinheiro, eles acabam ganhando em escala, já que a pessoa física vai demandar mais crédito com taxas mais atrativas. Além disso, o custo passivo do banco também vai ficar menor”, explica.

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