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Você sabe o que é manterrupting, bropriating, mansplaining e gaslighting?

Você sabe o que é manterrupting, bropriating, mansplaining e gaslighting? / Foto: Kristina Flour / Unsplash Images
Foto: Kristina Flour / Unsplash Images

As palavras estão em inglês, mas tem um significado universal: machismo para calar a voz das mulheres!

É fato que existem alguns comportamentos machistas que permeiam nosso cotidiano e sequer nos damos conta. Gestos que parecem inofensivos, disfarçados de piada, mas na verdade roubam nossa força, nosso espaço e limitam as possibilidades das mulheres.

Quero te mostrar 4 comportamentos machistas batizados em inglês sem tradução oficial, mas que possuem significado único em qualquer idioma: atitudes machistas para calar voz feminina:

1 – Sabe quando uma mulher não consegue concluir sua frase porque é constantemente interrompida pelos homens ao redor?

Este é um comportamento muito comum em reuniões e palestras mistas é chamado de manterrupting. A palavra é uma junção de man (homem) e interrupting (e interrupção) Em tradução livre, significa “homens que interrompem”.

Sabe quando a mulher começa a expor seu ponto de vista e é interrompida de forma desnecessária por um homem? Pois bem, manterrupting é o nome que se dá a essa falta de educação masculina.

Dica para reverter a situação: Seja enfática e assertiva e diga: “gostaria de terminar meu raciocínio”; “se me deixar terminar irá entender”; ou até mesmo para aqueles que querem ganhar no grito: “com licença, eu ainda não terminei”.

2 – Quando colocamos uma ideia, muitas vezes não somos ouvidas. E então, um homem assume a palavra, repete exatamente o que você disse e é aplaudido por isso. Quem já não se viu nesta situação?

O termo bropriating é uma junção de bro (curto para brother, irmão, mano) e appropriating (apropriação) e se refere a quando um homem se apropria da ideia de uma mulher e leva o crédito por ela em reuniões.

Em seu livro “Faça Acontecer”, Sheryl Sandberg explica que somos criadas como delicadas, suaves e gentis, jamais como enfáticas ou assertivas. E quando nos impomos somos vistas como masculinizadas. Não há dúvidas de que isso atrapalha nossa vida profissional.

E este comportamento não é exclusivo de algumas áreas. Em todos os mercados funciona assim. Em qualquer sala de reunião. O bropriating ajuda a explicar porque existem tão poucas mulheres nas lideranças das empresas.

Dica para reverter situação: Seja dona de sua ideia! Assertividade é a competência fundamental para sobreviver no mundo corporativo.

3 – Sabe quando um homem dedica seu tempo para explicar a uma mulher como o mundo é redondo, o céu é azul, e 2+2=4? E fala didaticamente como se ela não fosse capaz de compreender, afinal é mulher. Isso é mansplaining.

O termo é uma junção de man (homem) e explaining (explicar).

Às vezes o mansplaining também pode servir para um cara explicar como você está errada a respeito de algo sobre o qual você de fato está certa, ou apresentar ‘fatos’ variados e incorretos sobre algo que você conhece muito melhor que ele, só para demonstrar conhecimento.

A verdadeira intenção do mansplaining é desmerecer o conhecimento de uma mulher. É tirar dela a confiança, autoridade e o respeito sobre o que ela está falando. É tratá-la como inferior e menos capaz intelectualmente. Talvez você não tenha percebido isso de forma tão explícita no seu cotidiano, mas com certeza agora irá prestar atenção na maneira como seu chefe ou seu marido falam com você, com os elogios desnecessários ou idiotas que você recebe, nas mensagens bobas de parabéns pelo dia das mulheres. Tá tudo lotado de mansplaining.

Dica para reverter situação: Faça uma pergunta sobre “deixa eu ver se entendi: Você está explicando esse assunto novamente para mim, é isso mesmo?”.

Às vezes eu fico olhando bem nos olhos do homem e dou um tempinho em silêncio logo após sua “explicação” e dou uma risadinha. Isso geralmente os deixam muito sem graça. O silencio é poderoso.

4 – Aposto que vocês já ouviram frases do tipo:

  • “Você está exagerando”
  • “Nossa, você é sensível demais”
  • “Para de surtar”
  • “Você está delirando”
  • “Cadê seu senso de humor?”
  • “Não aceita nem uma brincadeira?”
  • E o mais clássico: “você está louca”.

Isso é Gaslighting, uma violência emocional por meio de manipulação psicológica, que leva a mulher e todos ao seu redor acharem que ela enlouqueceu ou que é incapaz. É uma forma de fazer a mulher duvidar de seu senso de realidade, de suas próprias memórias, percepção, raciocínio e sanidade. Este comportamento afeta homens e mulheres, porém somos vítimas culturalmente mais fáceis.

O termo gaslighting surgiu por causa de um filme de 1944, em que um homem descobre que pode tomar a fortuna de sua mulher se ela for internada como doente mental. Por isso, ele começa a desenvolver uma série de artimanhas – como piscar a luz de casa, por exemplo – para que ela acredite que enlouqueceu.

Dica para reverter situação: Esse é o mais complicado, pois trata-se de relacionamentos tóxicos. Terapia é uma boa alternativa para entender melhor sobre nossos relacionamentos e como nos livramos desse padrão de comportamento.

Manterrupting, bropriating, mansplaining e gaslighting. Saber que estes problemas existem já é parte importante da solução. Estar atenta aos pequenos gestos cotidianos e transformá-los pouco a pouco farão a sua vida, e de muitas mulheres, melhor.

*Artigo produzido por Daniela do Lago, que ministra aulas nos cursos de MBA da Fundação Getulio Vargas há 15 anos para as disciplinas de Gestão de Pessoas, Comportamento Organizacional, Comunicação e Relacionamento Interpessoal. É mestre em Administração com foco em Comportamento Organizacional pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul e possui MBA em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas. É Bacharel em Administração pela Fundação Santo André.

Já escreveu 5 livros, é colunista fixa da Revista Gestão & Negócios, ministra palestras, além de pesquisadora dos temas e dos conteúdos ligados à sua atuação. Tem formação Internacional em Coaching e especialização para Liderança pelo ICI (Integrated Coaching Institute), em curso credenciado pelo ICF (International Coach Federation).

Ganhou o prêmio de melhor professora dos cursos de MBA, da Fundação Getúlio Vargas nos anos de 2016, 2018 e 2019. Foi vencedora do prêmio “Líder Empreendedor 2010” fornecido pelo Congresso de Recursos Humanos FONATE.

Conheça os livros de Daniela do Lago:

  • Bom senso: na vida e no trabalho. Você acha que realmente tem?
  • Despertar Profissional
  • UP – 50 dicas para decolar na sua carreira – nesse inclusive ela fala sobre manterrupting, bropriating, mansplaining e gaslighting
  • FEEDBACK – Receita Eficaz em 10 passos
  • DAILY SHOTS 365 Inspirações para começar bem o dia no trabalho
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