Boris Ber revela os desafios e o futuro do corretor de seguros em entrevista ao Universo do Seguro

Boris Ber, presidente do Sincor-SP, e o jornalista William Anthonr, do Universo do Seguro / Foto: Divulgação Boris Ber, presidente do Sincor-SP, e o jornalista William Anthonr, do Universo do Seguro / Foto: Divulgação
Boris Ber, presidente do Sincor-SP, e o jornalista William Anthonr, do Universo do Seguro / Foto: Divulgação

Presidente do Sincor-SP falou sobre inteligência artificial, sucessão, nova lei do seguro e deixou recado direto: “O futuro já começou. Vamos em frente”

Com quase cinco décadas de atuação no mercado segurador brasileiro, Boris Ber, presidente do Sindicato dos Corretores de Seguros do Estado de São Paulo (Sincor-SP), foi o convidado do episódio 30 do Podcast Universo do Seguro. Em uma conversa de mais de uma hora, Boris abordou temas que estão no centro das discussões do setor, da inteligência artificial à crise de sucessão nas corretoras, e não se esquivou de nenhuma pergunta.

IA, reforma tributária e a nova lei: o tripé que muda o jogo

Logo nos primeiros minutos da entrevista, Boris foi direto ao ponto sobre o que considera os temas prioritários para o corretor de seguros em 2026. A reforma tributária, segundo ele, vai impactar corretoras de todos os portes, e o Sincor-SP já articula, junto à Fenacor e presidentes de outros Sincors, a criação de uma comissão que inclua grandes corretoras para baratear custos jurídicos e garantir uma atuação conjunta do setor.

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Sobre a nova lei do seguro, Boris fez um alerta: “A nova lei do seguro já pegou você e você ainda não sentiu”. Ele lembrou que a legislação levou 20 anos para ser aprovada e que, nesse período, o mundo mudou várias vezes. O presidente do Sincor-SP recomendou que os corretores acessem o e-book produzido em parceria com a NS, que traz orientações práticas sobre os impactos da nova legislação.

A inteligência artificial, porém, foi o tema que mais empolgou o entrevistado. Boris citou uma frase ouvida no congresso de Salvador que, segundo ele, resume o momento atual: “A IA não vai acabar com o corretor de seguros, mas o corretor de seguros que não entrar na IA vai acabar”. Ele demonstrou conhecimento prático sobre o tema ao descrever ferramentas que já comparam condições gerais de apólices de diferentes seguradoras de forma automatizada e sistemas que gerenciam inadimplência, desde a identificação do atraso até a baixa no portal da companhia, sem intervenção humana.

Da cozinha industrial ao mercado de seguros: uma trajetória improvável

Parte significativa da entrevista foi dedicada à trajetória pessoal de Boris, que começou sua vida profissional longe do mercado segurador. Estudante de administração na PUC-SP em 1975, Boris precisava trabalhar para custear a faculdade e acabou montando uma cozinha industrial em Guarulhos, chegando a fornecer 3 mil refeições por dia para indústrias da região.

A virada para o mercado de seguros aconteceu por acaso. Após vender a empresa de alimentação, Boris precisou levar uma nota fiscal a seu corretor de seguros por conta de um acidente com a Kombi da empresa. O corretor, que era amigo de sua irmã, o convidou para trabalhar com captação de seguros. “Aí eu virei o famoso bagre, ou, quando melhor, subprodutor”, relembrou, com bom humor.

A partir daí, Boris levou seu sócio Pascoal para visitar os antigos clientes da cozinha industrial. “Num dia, nós visitamos cinco clientes, abrimos quatro e um ficou para o dia seguinte”, contou. Foi o início de uma carreira que se estenderia por décadas e o levaria à presidência do Sincor-SP.

Sucessão: o problema silencioso que ameaça corretoras

Um dos momentos mais enfáticos da entrevista foi quando Boris abordou a crise de sucessão nas corretoras de seguros. Segundo ele, a falta de sucessores é hoje um dos maiores problemas do setor. “Eu sou procurado para adquirir, para administrar, porque a pessoa não tem um sucessor”, revelou, acrescentando que esse tipo de negócio depende diretamente da continuidade.

Boris contou uma história emblemática sobre a filha de um amigo corretor que foi colocada para trabalhar na área de inadimplência da corretora e estava prestes a abandonar a profissão. “Você é burro mesmo, você vai perder tua filha que é super inteligente. Põe ela para vender seguro-saúde, ensina um ramo para ela, deixa ela ganhar dinheiro”, foi o conselho direto que deu ao amigo. A jovem permaneceu na corretora e se tornou uma profissional de destaque.

Para os veteranos que não encontram sucessores na família, Boris apresentou alternativas: buscar um sócio que garanta a continuidade do negócio ou encontrar um parceiro para administrar a carteira de forma integral ou parcial.

Sincor-SP: “É o seguro do corretor de seguros”

Boris dedicou parte considerável da conversa a explicar o papel e os benefícios do Sincor-SP, entidade que preside. Ele comparou o custo da associação a “menos de um cafezinho por dia” e destacou duas frentes principais de atuação: o hub de soluções e os mais de 70 benefícios oferecidos aos associados.

O presidente deu destaque especial ao Disque Sincor, serviço que realiza defesa técnica para corretores em casos de sinistros negados e problemas de comissão. Segundo Boris, o índice de reversão dos casos atendidos é de 92%. “Só no ano passado, nós revertemos quatro sinistros de mais de 300 mil reais cada”, afirmou.

Outra novidade apresentada foi o Conectacore, plataforma com inteligência artificial que auxilia corretores em consultas rápidas. Boris contou que um diretor do Sincor conseguiu descobrir qual seguradora aceitava seguro de drone e fechou o negócio em questão de minutos usando a ferramenta pelo WhatsApp.

Em primeira mão, o presidente revelou que o Sincor-SP está desenvolvendo seu próprio sistema de gestão e prepara uma nova forma de associação, idealizada pelos próprios colaboradores da área de TI e comunicação, com apoio de inteligência artificial.

Proteção veicular e novos entrantes: o que o corretor precisa saber

Questionado sobre as associações de proteção veicular, Boris foi categórico: “Não trabalhe com isso. Pelo menos por enquanto”. Ele explicou que, apesar de algumas entidades afirmarem estar regularizadas, nenhuma teria cumprido integralmente as exigências para operar nos mesmos moldes de uma seguradora. O presidente lembrou o caso do Rio Grande do Sul, quando segurados de proteções veiculares descobriram que não tinham cobertura para danos por água.

Sobre os novos entrantes no mercado, Boris destacou a atuação de agentes de investimento que começaram a oferecer seguros de vida aos mesmos clientes atendidos por corretores. “Esse pessoal começou a olhar para o seguro de vida. Daqui a pouco ele vai olhar para o automóvel, vai olhar para o residência”, alertou, reforçando a necessidade de o corretor ocupar todos os espaços possíveis com seu cliente.

“O futuro já começou”

No tradicional quadro Pinga-Fogo, ao final da entrevista, Boris respondeu a provocações rápidas. Questionado sobre uma crença que gostaria de derrubar, disse que o corretor não é um atravessador: “É o melhor pós-venda que existe em qualquer produto”. Sobre o erro mais comum que custa caro, foi direto: “Não se atualizar”. E ao ser convidado a definir o futuro da corretagem em uma palavra, preferiu usar uma frase: “O futuro já começou. Vamos em frente”.

O episódio completo está disponível no canal do Universo do Seguro no YouTube.

O Podcast Universo do Seguro é apresentado pelo jornalista William Anthony e traz entrevistas com as principais lideranças do mercado segurador brasileiro.

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