Remessa Online traz análise sobre os principais eventos econômicos da semana

André Galhardo, consultor econômico da Remessa Online/ Foto: Divulgação
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O Copom (Comitê de Política Monetária) deve realizar novo corte de 0,50% na Selic (taxa básica de juros) e sinalizar mais cortes à frente. Apesar do risco de uma persistência inflacionária, que se formou através dos problemas climáticos e geopolíticos, o Brasil ainda tem espaço para manter o atual ritmo de cortes da Selic. Por ora, esperamos mais 3 cortes de 0,50% e outros dois de 0,25%, que levaria a taxa básica de juros a 9,75% ao ano.

IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), deve perder ritmo depois de 5 meses consecutivos de aceleração. A queda dos preços de commodities agrícolas e de bens e insumos intermediários devem reduzir o ímpeto do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-M), maior componente do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado). A desaceleração do IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo), deve ser acompanhada pela redução das pressões inflacionárias nos preços aos consumidores. Embora tenhamos sinais inequívocos da aceleração dos preços dos alimentos in natura aos consumidores, o grupo de transportes deve mostrar recuo com a normalização relativa dos preços das passagens aéreas e a queda dos preços dos combustíveis.

A produção industrial brasileira deve mostrar o primeiro recuo em 5 meses em dezembro. Os dados da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF) de dezembro devem mostrar um recuo de 0,3% na margem, revertendo parte dos ganhos obtidos entre agosto e novembro. A contração é esperada em função do comportamento de alguns indicadores antecedentes relevantes, que sugerem queda no nível de atividade do setor. Se o recuo mensal for confirmado, a produção industrial brasileira apresentará um avanço meramente marginal em 2023, de 0,1%.

A taxa de desocupação deve cair a 7,4% no trimestre encerrado em dezembro. Seguindo o movimento visto nos últimos trimestres, a taxa de desocupação medida pela PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) mensal deve ceder novamente e registrar 7,4%. Essa redução deve acontecer mesmo diante da perda líquida de postos de trabalhos formais, comum nos meses de dezembro. A nossa expectativa é de que o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) registre a diminuição de 280 mil vagas no último mês de 2023.

Os juros americanos devem permanecer estáveis em janeiro. Contrariando os esforços do Federal Reserve, a economia americana continua aquecida, como demonstram as últimas leituras de dezembro, que apontam a resiliência da atividade econômica e, principalmente, do mercado de trabalho. Dessa forma, embora seja improvável que a autoridade monetária opte por um novo aumento nos juros, o atual patamar deve ser mantido por um período mais prolongado do que o suposto anteriormente, com o objetivo de desacelerar a economia o suficiente para controlar, de maneira definitiva, as pressões inflacionárias.

Os mercados apostam na desaceleração do mercado de trabalho americano em janeiro. Após os números de dezembro sugerirem um nível de contratação acima do esperado, os agentes preveem uma correção em janeiro, com o Payroll indicando a criação de 162.000 vagas. Caso se concretize, tal desdobramento representaria o impacto tão aguardado da política monetária do Fed (Federal Reserve) sobre a atividade. O mercado de trabalho, contudo, vem se mostrando como um dos setores mais resilientes da economia americana, frustrando diversas vezes as projeções feitas até então. Neste sentido, as perspectivas de apenas 162.000 vagas devem ser tomadas com certo grau de ceticismo.

A primeira leitura do PIB da Zona do Euro deve sugerir uma recessão técnica no encerramento de 2023. Não é novidade que as economias europeias atravessam uma forte desaceleração, com contração de 0,1% tanto na Alemanha quanto no bloco econômico como um todo no terceiro trimestre do ano passado. Para o fim do ano, contudo, as projeções dos mercados são ainda mais graves, indicando um recuo de 0,1% na Zona do Euro, e de 0,3% na economia alemã. Quando se considera os indicadores antecedentes de janeiro, em especial os PMIs (Índice de Gerentes de Compra), o esperado é que tal tendência se mantenha no início deste ano.

O Bank of England deve manter os juros inalterados em janeiro. No momento, a economia britânica atravessa um momento complexo, similar em alguns aspectos ao observado no Brasil no terceiro trimestre de 2023. Enquanto alguns dados de atividade econômica, como o PIB mensal e os PMIs (Índice de Gerentes de Compra), sugerem uma retomada econômica, outros apontam para a continuidade do movimento de desaceleração. A despeito desse contexto, a expectativa é de que os juros britânicos permaneçam em 5,25% ao longo dos próximos meses, de forma a evitar uma retomada das pressões inflacionárias.

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